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Linha do tempo: acordo entre Israel e Emirados ocorre após anos de iniciativas frustradas

Palestinos e árabes não superaram dezenas de anos de desconfianças e violência

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 03h00

JERUSALÉM – Um acordo concluído entre Israel e os Emirados Árabes Unidos com a finalidade da completa normalização das relações se segue a uma história de iniciativas de paz entre Israel e os palestinos e seus aliados árabes, que não superaram dezenas de anos de desconfianças e violência. A maioria das nações árabes, incluindo os EAU, não reconheceu Israel nem manteve relações formais ou econômicas com o país por considerarem que ele frustra as aspirações dos palestinos a um Estado próprio.

Aqui estão algumas iniciativas empreendidas pelas partes e por mediadores internacionais desde a Guerra do Oriente Médio de 1967, quando Israel se apoderou da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, a península do Sinai e a Faixa de Gaza, além das Colinas do Golan.

1967 -  Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU

Depois da Guerra dos Seis Dias, a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU pede a “retirada das forças armadas de Israel dos territórios ocupados no recente conflito”, e em troca todos os Estados da região deverão respeitar  a soberania, a integridade territorial e a independência recíproca. A resolução constitui o alicerce das iniciativas de paz, mas sua linguagem imprecisa – faz referência a todos os territórios ou apenas a alguns? – complicou os esforços durante dezenas de anos.

1978 – O acordo de Camp David

Menachem Begin de Israel e Anwar Sadat do Egito concordam com um arcabouço de paz regional que prevê a retirada paulatina de Israel desde o Sinai, no Egito, e um governo palestino de transição na Cisjordânia e em Gaza.

1979 – Tratado de paz entre Israel e o Egito

O primeiro acordo de paz entre Israel e um país árabe estabelece planos para uma completa retirada de Israel do Sinai no prazo de três anos. Em 1981, Sadat foi assassinado por revolucionários islâmicos em um desfile militar no Cairo.

1991 – A cúpula de Madri

Representantes de Israel e da Organização de Libertação da Palestina (OLP) participam de uma conferência de paz em Madri. Nenhum acordo é alcançado, mas prepara-se o cenário para contatos diretos.

1994 – Acordo Israel-Jordânia

A Jordânia torna-se o segundo país árabe a assinar um acordo de paz com Israel. Mas o tratado é impopular e na Jordânia há um profundo sentimento pró-palestino.

1993-1995 – Declaração de Princípios/Acordos de Oslo

Israel e a OLP realizam conversações secretas na Noruega que resultam em acordos de paz temporários pedindo a criação de um autogoverno palestino interino e um conselho eleito na Cisjordânia e em Gaza por um período de transição de cinco anos, a retirada das tropas israelenses e negociações em vista de um acordo permanente.

2000 – Cúpula de Camp David

O presidente americano Bill Clinton reúne o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Ehud Barak em Camp David. Eles não chegam a um acordo. Segue-se mais uma revolta palestina.

2002-2003 – Declaração de Bush/Iniciativa de paz árabe/Mapa do caminho da paz

George W. Bush é  o primeiro presidente americano a pedir a criação de um Estado palestino, convivendo lado a lado com Israel “em paz e segurança”.

2002 – A Arábia Saudita apresenta um plano de paz endossado pela Liga Árabe que prevê a retirada total de Israel dos territórios ocupados e a aceitação por Israel de um Estado palestino em troca da normalização das relações com os países árabes. Os Estados Unidos, a União Europeia, a ONU e a Rússia apresentam seu mapa próprio para a solução permanente de dois Estados para pôr fim ao conflito.

2007 – A cúpula de Annapolis

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, não chegam a um acordo em uma cúpula proposta pelos EUA. Posteriormente, Olmert afirma que estavam perto de um acordo, mas uma investigação de corrupção contra ele e uma guerra em Gaza, em 2008, afundam qualquer acordo.

2009 – Discurso de Netanyahu na Universidade Bar Ilan

No discurso, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirma que estaria disposto a concluir um acordo de paz que incluísse a criação de um Estado palestino desmilitarizado.E estabelece outra condição: o reconhecimento palestino de Israel como “Estado do povo judeu”.

2013-2014 – Conversações de paz em Washington/colapso das negociações

O secretário de Estado americano John Kerry convence israelenses e palestinos a retomar as conversações. As conversações fracassam e são suspensas em abril de 2014.

Junho de 2019 – Anunciado plano econômico de Trump

Jared Kushner, genro de Trump, lança o estágio preliminar do plano em Bahrein. Sua abordagem é “a economia em primeiro lugar”, e pede um fundo de investimentos de US$ 50 bilhões para impulsionar as economias de palestinos e dos vizinhos árabes. Os líderes palestinos recusam.

2019 - Netanyahu

Netanyahu afirma que, se for eleito, pretende anexar os assentamentos da Cisjordânia e grande parte do Vale da Jordânia. Posteriormente, o secretário de Estado americano Mike Pompeo apoia efetivamente o direito afirmado por Israel de construir assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada, abandonando desse modo a posição americana datada de quatro décadas segundo a qual seriam incoerentes com o direito internacional.

O líder da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, afirma em junho de 2019 que a única resolução bem vista pelos Estados Árabes é a aceitação por parte de Israel da iniciativa apresentada pela Arábia Saudita em 2002. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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