Linha econômica será preservada, diz especialista

CENÁRIO: Ariel Palacios

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h01

Seja quem for eleito presidente do Uruguai no segundo turno, em 30 de novembro, uma coisa é certa: a economia do país não mudará radicalmente. "Podem haver nuances na orientação da política econômica, mas as linhas gerais continuarão as mesmas", disse ao 'Estado' Mercedes Comas, da consultoria Price Waterhouse, em Montevidéu.

Diferentemente do que ocorre no Brasil e no Chile, não existe no Uruguai polarização no que diz respeito à economia, de acordo com Aldo Lema, analista da Vixion Consultores. Ele garante que "uma coisa é a retórica eleitoral, outra é governar com medidas concretas".

Os governos da Frente Ampla, de José Mujica e Tabaré Vázquez, conservaram as grandes diretrizes macroeconômicas herdadas dos governos dos partidos Colorado e Nacional. "Todos os partidos concordam que o déficit fiscal não é bom e o câmbio fixo fez muito mal ao país no passado", explica Mercedes. "Nos últimos anos, o Uruguai aproveitou uma conjuntura externa muito favorável. O volume de depósitos aumentou. O câmbio flutuou, pois é flexível. O risco país subiu, embora de forma moderada, e os investimentos estrangeiros continuam crescendo."

Ainda segundo a economista da filial uruguaia da Price Waterhouse, o Uruguai chegará ao fim do ano com o PIB registrando aumento de 3%. A previsão, para 2015, é de um crescimento de 2%.

"Estes resultados devem-se às relações em deterioração do Uruguai com o Brasil, em recessão, e com a Argentina, que tem suas complicações com os credores. Além disso, o país enfrenta queda dos preços internacionais dos produtos que exporta", disse.

O desemprego no Uruguai é de 5,7%, de acordo com índices oficiais - em 2002, em plena crise, alcançou 26%. A pobreza, que há 11 anos atingiu cerca de 40% dos uruguaios, atualmente está em 11%. Os analistas em Montevidéu indicam que o principal problema da economia uruguaia hoje é a inflação. Segundo estimativas da Price Waterhouse, a inflação atingiu, este ano, índice de 8,7%. Para 2015, a previsão é de que chegue a 8,3%.

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