AP Photo/Matilde Campodonico
AP Photo/Matilde Campodonico

Lista de compradores de maconha no Uruguai tem 10% de aumento

Segundo o governo, mais farmácias também ficaram interessadas em comercializar a erva, que esgotou no primeiro de venda

Murillo Ferrari, Enviado Especial / Montevidéu, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 05h00

O número de pessoas registradas para comprar a maconha legalizada nas farmácias do Uruguai teve um aumento de 10% um dia após o início das venda, revelou o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (Ircca). Na quarta-feira, havia 4.959 inscritos e nesta quinta-feira, 5.526.

Segundo o instituto, também surgiram mais farmácias interessadas em vender a droga para uso recreativo. Inicialmente, muitas rejeitaram, alegando questões de segurança e o escasso lucro com a venda. Somente 16 estabelecimentos em todo o país estão autorizados a vender a erva, apenas quatro deles em Montevidéu, onde estão concentrados 60% dos usuários registrados. Os outros 12 estão distribuídos em 10 dos 19 Departamentos (Estados) do Uruguai.

Muitos uruguaios procuraram nesta quinta-feira as quatro farmácias de Montevidéu onde são vendidos os pacotes com a maconha legalizada produzida pelo Estado, apesar de os estabelecimentos terem informado que o estoque do primeiro lote entregue pelo governo terminou na quarta-feira, o primeiro dia de distribuição. 

Reposição de estoque. O Ircca, órgão vinculado à presidência, ainda não comentou oficialmente se houve uma falha no cálculo das quantidades liberadas para venda ou se distribuiu toda a produção inicial. Também não informou qual a previsão para que o produto volte às prateleiras. Cada farmácia recebeu dois quilos da droga e cada comprador podia levar no máximo 10 gramas.

O responsável por uma farmácia no centro da cidade, que pediu para não ter seu nome revelado, disse esperar que o novo lote da maconha legalizada seja entregue no começo da próxima semana. 

“Por uma questão de segurança, só ficamos sabendo que vamos receber o produto uns cinco minutos antes, por meio de um telefonema”, disse. “Atendemos a todos os interessados, mas não podemos dar uma estimativa oficial.” 

Enquanto conversava com a reportagem, dois compradores entraram no estabelecimento procurando a droga e uma outra pessoa telefonou fazendo o mesmo questionamento. “Foi assim desde que abrimos pela manhã. Muitos vieram procurar pessoalmente e o telefone não parou de tocar”, disse. 

Muitos compradores correram às farmácias na tarde de quarta-feira ao saber que os estoques estavam acabando. 

A maconha legalizada uruguaia tem um teor mais baixo de THC do que a vendida pelos traficantes. Segundo a lei que regula a produção, a distribuição e a venda de maconha nas farmácias uruguaias, o Ircca tem até 15 dias para repor o estoque depois que o estabelecimento faz o pedido por mais pacotes da erva. 

 

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