Litvinenko planejava chantagem, diz conhecida do ex-agente

Uma conhecida do ex-espião russo morto por radiação em Londres disse a uma TV que Alexander Litvinenko, que acusou o presidente Vladimir Putin, de tramar sua morte, pretendia chantagear um rico empresário russo. A russa Julia Svetlichnaya, então universitária, contou que conversou com Litvinenko sobre um livro que ela estava escrevendo. "Ele me contou que estava fazendo um projeto para chantagear um dos oligarcas russo no Reino Unido", disse Svetlichnaya à rede norte-americana CBS, numa entrevista que vai ao ar no domingo. "Ele na verdade achava que tudo bem fazer isso, porque essa pessoa em particular, conforme afirmava Litvinenko, tinha uma conexão com Putin", disse ela. Depois de adoecer, no princípio de novembro, Litvinenko escreveu uma carta em que acusava Putin de tramar seu assassinato. Ele acabou morrendo em 23 de novembro, vítima de contaminação pela substância polônio-210. O Kremlin negou envolvimento na morte dele. Policiais britânicos que investigam o caso já estiveram em Moscou interrogando testemunhas. "Não posso dizer que [a morte do ex-espião] foi ordem [de Putin], mas sem o conhecimento dele não poderia acontecer", disse a viúva de Litvinenko, Marina, no mesmo programa. Ela negou que seu marido pretendesse fazer chantagem com alguém, afirmando que, embora não soubesse a que trabalho ele se dedicava, ele "não era gente" de fazer isso. Svetlichnaya não soube dizer quem era o empresário a ser chantageado, mas garantiu que não se trata de Boris Berezovsky, inimigo número 1 do Kremlin, atualmente exilado em Londres. Berezovsky disse ao programa da CBS que Litvinenko lhe havia dado informações para sua campanha contra Putin e seu regime, e que sua relação com o ex-espião pode ter sido um fator para a morte dele.

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