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Liu Xiaobo, ativista pró-democracia chinês, recebe o Nobel da Paz

Ativista chinês foi escolhido por 'seu pacífico esforço pelos direitos humanos fundamentais na China'

estadão.com.br

08 de outubro de 2010 | 06h13

OSLO - O dissidente chinês Liu Xiaobo foi laureado nesta sexta-feira, 8, com o prêmio Nobel da Paz. Xiaobo, o primeiro de sua nacionalidade a receber a premiação, foi escolhido "por seu longo e pacífico esforço pelos direitos humanos fundamentais na China".

 

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"Nas últimas duas décadas, Liu Xiaobo foi um grande porta-voz a favor da aplicação dos direitos humanos fundamentais na China", anunciou a organização norueguesa, recordando a participação do ativista nos protestos pró-democracia em Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em 1989. "O Comitê sempre acreditou que existe uma estreita conexão entre os direitos humanos e a paz", assinalou o órgão.

 

Liu, ex-professor de literatura, passou os últimos 20 anos entrando e saindo de prisões chinesas. No final do ano passado, ele foi condenado a 11 anos de prisão por subversão por ter escrito um manifesto em 2008 pedindo liberdade de expressão e eleições multipartidárias na China.

 

Ele era o favorito para vencer o prêmio deste ano. O ativista receberá 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,5 milhão) pelo prêmio.

 

O chefe do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, disse que Liu foi um símbolo pela luta dos direitos humanos na China e disse que o país asiático, agora a segunda maior economia do mundo, deve ser exemplo. "A China se tornou uma grande potência em termos econômicos e políticos. É normal que grandes potências recebam críticas", disse. "Temos que falar o que outros não podem falar", concluiu.

 

Xiaobo representa toda a comunidade chinesa dissidente, que ressurgiu quando Pequim lançou reformas econômicas - não políticas - há três décadas. O prêmio para Liu, o primeiro para um chinês, pode levantar discussões entre as lideranças e a elite chinesa sobre possíveis reformas democráticas no país.

 

Protestos

 

A decisão do Instituto Nobel gerou reprovação da China. Em comunicado, o Ministério de Exteriores diz que "Liu Xiaobo é um criminoso que foi sentenciado pelos departamentos judiciais da China por violar a lei" e que a decisão do instituto "vai ao contrário dos princípios do Nobel e também constitui uma blasfêmia ao legado do prêmio".O que havia sido adiantado pelo vice-chanceler chinês, Fu Ying.

No mês passado, uma representante do Ministério de Exteriores chinês disse que as ações de Liu são "diametralmente opostas às procuradas pelo Nobel". Pequim também fez duras críticas ao Nobel quando o dalai-lama, líder espiritual tibetano exilado, recebeu o prêmio, em 1989.

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