Livni desiste de formar governo e pede eleições antecipadas

Ministra israelense afirmou que está 'cansada de chantagens'; eleições podem acontecer em fevereiro

Efe e Reuters,

25 de outubro de 2008 | 20h40

A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, decidiu neste sábado, 25, suspender as conversas para formar uma nova coalizão de governantes e recomendou celebrar uma eleição nacional antecipada, segundo informou a Israel Radio.   As eleições poderiam acontecer em fevereiro, mais de um ano antes do previsto. Se espera que Livni, a sucessora designada do primeiro ministro Ehud Olmert, afastado após escândalos, declare no domingo ao presidente Shimon Peres sua decisão.   "Estou cansada de chantagens. Veremos todos estes heróis dentro de 90 dias", disse na noite deste sábado a líder do partido Kadima ao decidir que a melhor opção para Israel é resolver a incerteza política nas urnas, informou a edição eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth e outros veículos de comunicação locais.   Livni enfrentou um retrocesso na sexta-feira, quando o partido Shas abandonou as negociações para uma coalizão, devido a objeções na divisão de Jerusalém num eventual acordo de paz com os palestinos e sobre a política de bem-estar social. A líder do Kadima reuniu os assessores na noite deste sábado, em sua casa em Tel Aviv, para uma última rodada antes de recorrer, neste domingo, ao líder e devolver a ele o mandato entregue à chanceler israelense em 22 de setembro.   No domingo, dizem os principais veículos de comunicação do país, ela informará Peres de que "fracassou" na missão de armar uma coalizão parlamentar e que pretende pedir ao Parlamento que se dissolva e antecipe as eleições. "Amanhã, anunciarei as eleições", afirmou Livni na reunião.   Segundo as fontes citadas pela imprensa, Livni teme ver sua imagem prejudicada se continuar negociando e ceder às exigências de partidos como o Shas. Os ultra-ortodoxos tinham fixado em mais de 1 bilhão de shekels (US$ 261 milhões) as ajudas do próximo governo às famílias, um número que o Kadima não estava disposto a pagar pelo apoio do Shas.   Além disso, o futuro de Jerusalém, na mesa de negociações com os palestinos, foi um obstáculo entre o Shas e o Kadima, com a exigência dos primeiros de que a cidade não seja dividida.   Até hoje, Livni só tinha conseguido o apoio do Partido Trabalhista, com 19 parlamentares, e se encontrava a uma distância prudente, mas salvável, dos Aposentados, com 7, embora com estes últimos ainda não tivesse assinado o acordo.   O Shas era fundamental para obter a maioria no Parlamento, mas sua retirada da mesa de negociações reduziu as possibilidades, por enquanto, de que Israel volte a ter uma mulher à frente de seu Executivo.   A lei israelense estabelece que o chefe do Estado pode pedir a outros deputados a formação do governo, embora na atual constelação política de pequenos partidos não pareça que algum deles tenha possibilidades reais de sucesso.   Matéria ampliada às 21h38

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