Livni já admite atuar na oposição

Sob pressão para não se unir à direita, chanceler pode abrir mão de cargo de premiê, segundo imprensa israelense

Daniela Kresch, TEL-AVIV, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 00h00

Três dias depois das eleições - e com 100% dos votos apurados -, os israelenses ainda não sabem como será o novo governo. As negociações políticas avançam e parecem indicar que quem levará a melhor é o ex-premiê Binyamin "Bibi" Netanyahu, líder do partido de direita Likud, que ficou em segundo lugar, com 27 das 120 cadeiras do Parlamento. Assessores da sua rival, a chanceler Tzipi Livni, do partido de centro Kadima, admitiram que ela considera seriamente desistir da disputa e ficar na oposição. A decisão abriria caminho para Bibi ser o novo premiê, apesar de o Kadima ter conseguido 28 cadeiras no Parlamento.Livni teria chegado à conclusão de que não conseguiria formar uma coalizão viável. Seus parceiros "naturais" - o Partido Trabalhista e o esquerdista Meretz (com 16 cadeiras ao todo) - avisaram que não fecharão acordo com ninguém. Ela precisaria das 15 cadeiras do partido de extrema direita Israel Beiteinu, de Avigdor Lieberman, para alcançar a maioria na casa (61 cadeiras). Lieberman encontrou-se tanto com Livni quanto com Bibi, mas não divulgou quem apoiará. Cabe ao presidente Shimon Peres apontar quem montará o próximo governo depois de receber a indicação dos líderes das bancadas, o que deve ocorrer no domingo.Mas mesmo que Peres indique Livni ela não teria maioria. Uma das opções seria aceitar a proposta de Bibi para criar de um governo de coalizão liderado por ele. Partidários do Kadima, porém, estão apelando para que Livni admita a derrota e se torne líder da oposição. "Ela está sendo pressionada a evitar acordos com a direita para não manchar sua imagem", revelou a rede de TV Canal 1. "Muitos ficarão mais felizes se ela lutar pela paz na oposição em vez de se unir a líderes cínicos", afirmou o escritor Yonatan Geffen.Segundo o jornalista Ben Caspit, assessores de Livni teriam concluído que o mais inteligente a fazer agora seria deixar Netanyahu formar o próximo governo com a extrema direita. Um governo assim, acreditam os assessores, não sobreviveria à pressão dos EUA pelo avanço nas negociação de paz com os palestinos. "Se Livni deixar que Netanyahu se afunde num governo ultradireitista, será premiê depois dele", diz Caspit. "Ela só precisa de paciência."

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