Livre comércio assusta empresários iraquianos

Depois de sofrer por 40 anos numa economia controlada pelo Estado, o empresário iraquiano enfrenta agora mais uma grande ameaça: a competição, especialmente de produtos estrangeiros que obtiveram acesso praticamente irrestrito ao mercado nacional. "A maioria dos investidores iraquianos não é de milionários", disse Ihsan al-Titenchi, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Iraquiano-Americana. "Eles querem saber o que vai acontecer com eles. Eles vão conseguir sobreviver? "A ansiedade advém de uma lei, assinada em outubro, que transformou o então sistema socialista do Iraque numa das economias mais abertas do mundo. A lei, assinada pelo Conselho de Governo iraquiano e pelo administrador americano do Iraque, Paul Bremer, abole a maioria das restrições ao comércio, ao fluxo de capital e ao investimento estrangeiro. As tarifas de importação foram reduzidas para uma média 5%.A lei foi criticada. "Foi uma ordem do senhor Bremer. Eles não consultaram ninguém", disse al-Titenchi, numa conferência convocada pela câmara para explicar a nova lei aos iraquianos.Mas o chefe do setor de desenvolvimento privado da Autoridade Provisória da Coalizão, Michael Fleischer, replicou que a lei de mercado é dura, mas aprimora a capacidade de companhias de competir e reduz preços. "Setores econômicos protegidos nunca, nunca, se tornam competitivos", ensinou Fleischer aos cerca de 100 participantes da conferência, sem no entanto, se referir aos subsídios aplicados por seu próprio país, principalmente nos setores agrícola e do aço.

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