Livro conta intimidades do romance de Menem

"O senhor é um sedutor. Sabe seduzir". Estas foram as primeiras palavras que a apresentadora de TV chilena e ex-miss Universo Cecilia Bolocco disparou logo no início de uma entrevista, ocorrida dois anos atrás, com o então presidente argentino Carlos Menem. Este, com seu jeito matreiro, sorriu a modo de resposta, e olhou as longas pernas da loira entrevistadora, queenvergava uma curtíssima mini-saia de uma cor que os argentinos chamam de "vermelho furioso". Começava nesse momento uma aproximação que rapidamente se transformaria em affaire amoroso, e que neste fim de semana - caso não ocorram contratempos - culminará em casamento."El Turco" (como é chamado Menem popularmente) e "Chechu" (apelido familiar de Bolocco, são os dois protagonistas do livro "Menem-Bolocco S.A.", da jornalista Olga Wornat, que em 1999 já havia escrito umapolêmica biografia não-autorizada de Menem. Wornat conta como o septuagenário "el Turco" continua exercendo sua fama de mulherengo, mesmoestando noivo da ex-miss de 36 anos, e continua encontrando-se com amigas voluptuosas. No entanto, Chechu não se rende, e enche o ex-caudilho de recados dizendo "eu te amo" que envia pelos criados.A jornalista também relata como Menem começa a sentir-se incomodado com a presença de Bolocco, que interrompe seus jogos de poquer com os amigos, para lhe fazer carinhos. "El Turco" também estaria começando a ficar preocupado em estar casando com uma mulher que gosta de gastar: há poucos meses, foram escolher uma casa que seria seu "ninho de amor" em Buenos Aires. Chechu encantou-se com uma mansão com seis suites, e área verde de duas hectares. "Custa US$ 2,5 milhões?não é meio cara?", perguntou Menem. Chechu não perdeu tempo: abraçou "el Turco", e fazendo-lhe carinhos, conseguiu que seu noivo aceitasse. Wornat também relata como Bolocco também tem cortado os ciúmes de Menem, um notório machista. Recentemente, ela foi flagrada em topless por uma revista chilena, e depois posou semi-nua para uma publicidade. Menem criticou as fotos durante uma discussão entre os dois, que cada vez mais tornam-se freqüentes.Segundo Wornat, o noivado deu lucros aos dois: à ela, permitiu retomar o protaganismo que estava perdendo na TV chilena, além de dinheiro pelas entrevistas que somente realiza em troca de jóias ou dinheiro (uma média de US$ 15 mil cada uma). A Menem, um ex-caudilho em seu crepúsculo político o noivado lhe trouxe de volta a fama de "super-macho" argentino.O livro também relata o passado de Bolocco, e de que como seu pai, um importante empresário chileno, foi preso por suspeitas de fraude nos anos 80. No entanto, Chechu foi eleita miss Chile, e o ditador Augusto Pinochet decidiu colocá-lo em liberdade, já que não ficava bem que o pai de uma representante da beleza chilena estivesse atrás das grades. "Menem-Bolocco S.A." também conta o apoio que deu à Ditadura de Pinochet. Comentando a morte de uma manifestante queimada viva pela polícia do ditador, Bolocco disse: "para que ela foi se meter comoisso? A situação tem que ser aceita do jeito que é". Há poucas semanas, Bolocco protagonizou uma seqüência de eventos que causaram irritação em amplos setores da sociedade argentina: ela posou para a capa da revista de moda feminina "Para Ti" supostamente nua, coberta com uma estola que reproduzia a bandeira argentina. Além disso, participou junto com Menem de uma inauguração de uma estátua de Evita Perón, a emblemática esposa do general Juan Domingo Perón, fundador do partido Justicialista (mais conhecido como "Peronista"). No entanto, a ex-miss causou indignação ao vestir um tailleur preto e o cabelo preso que recordavam o look da falecida "protetora dos pobres". Chechu teve que dar dezenas de desculpas nos meios de comunicação argentinos, afirmando que jamais pretenderia querer copiar Evita. No entanto, La Bolocco e Evita possuem vários pontos em comum: eram castanhas, e tingiram o cabelo de loiro, além disso, apaixonaram-se por caudilhos. No entanto, a forma de denominar o marido era outra: enquanto que Evita chamava Perón - um homem alto, de porte militar - de "mi general", Chechu chama o míudo Menem de "mi dulcito" (meu docinho).

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