Livro contradiz versão oficial da morte de Bin Laden

Membro de grupo de elite que participou da operação desmente que líder da Al-Qaeda tivesse esboçado reação ao ser surpreendido no Paquistão

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h07

Um dos membros do esquadrão de elite Seal que participaram da operação para matar Osama bin Laden deu uma versão distinta da oficial divulgada pelo governo de Barack Obama para descrever o momento dos disparos contra o terrorista saudita no ano passado no Paquistão.

De acordo com o relato dele em livro que será lançado no dia 4, um dos militares americanos disparou contra a cabeça de Bin Laden no momento em que ele saía do quarto da casa onde estava escondido no Paquistão. A informação foi divulgada pela agência notícias Associated Press, que teve acesso ao livro No Easy Day (Não há dia fácil, na versão em português).

A obra, que será publicada pela Penguin Books, nos EUA, e pela Editora Paralela, no Brasil, foi escrita sob o pseudônimo de Mark Owen. Mas as autoridades já identificaram o autor como Matt Bissonnette, que deixou as Forças Armadas pouco depois da operação.

O governo Obama afirmou que Bin Laden foi atingido apenas depois de voltar para o quarto e supostamente esboçar uma reação. John Brennan, chefe de contraterrorismo da Casa Branca, chegou até mesmo a dizer na época que teria havido uma troca de tiros.

Não houve nenhuma resposta ontem à divulgação do relato de Bissonnette. Em e-mail, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional disse apenas que o presidente sempre agradeceu "o profissionalismo, o patriotismo e a coragem" dos envolvidos na operação.

Além de contradizer a versão oficial, o soldado afirmou que seus colegas não nutriam simpatia por Obama e temiam que o presidente usasse a ação politicamente. Um deles teria dito que eles haviam "acabado de reeleger" o presidente.

A operação para matar Bin Laden é considerada por muitos como uma das principais realizações de Obama em seu mandato. Republicanos, porém, questionam a forma como o presidente usou o episódio, acrescentando que qualquer um que estivesse no cargo também teria dado a ordem para matar o saudita.

Há críticas ainda a Obama por ter contribuído com um filme que contará uma versão mais positiva para o presidente da operação. O livro de Bissonnette foi escrito de forma independente e ele pode ser processado por divulgação de segredos.

Antes de sua identidade ser divulgada, Bissonnette pretendia aparecer mascarado em entrevistas para as TVs americanas. No livro, ele não conta quem teria sido o autor dos tiros que mataram Bin Laden.

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