Dutton/Arquivo/AP
Dutton/Arquivo/AP

Livro de soldado americano contradiz versão oficial da morte de Bin Laden

Matt Bissonnette desmente que líder da Al-Qaeda tenha esboçado reação ao ser surpreendido no Paquistão

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

29 de agosto de 2012 | 19h07

NOVA YORK - Um dos membros do esquadrão de elite Seal que participaram da operação para matar Osama bin Laden deu uma versão distinta da oficial divulgada pelo governo de Barack Obama para descrever o momento dos disparos contra o terrorista saudita no ano passado no Paquistão.

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De acordo com o relato dele em livro que será lançado no dia 4, foi feito um disparo por um dos militares americanos contra a cabeça de Bin Laden no momento em que ele saía do quarto da casa onde estava escondido no Paquistão. A informação foi divulgada pela agência notícias Associated Press, que teve acesso ao livro No Easy Day (Não há dia fácil, na versão em português).

A obra, que será publicada pela Penguin Books, nos EUA, e pela Editora Paralela, no Brasil, foi escrita sob o pseudônimo de Mark Owen. Mas as autoridades já o identificaram como Matt Bissonnette, que deixou as Forças Armadas pouco depois da operação.

Oficialmente, o governo Obama afirmou que Bin Laden foi atingido apenas depois de voltar para o quarto e supostamente esboçar uma reação. John Brennan, chefe de contraterrorismo da Casa Branca, chegou até mesmo a dizer na época que teria havido uma troca de tiros.

Não houve nenhuma resposta até agora à divulgação do relato de Bissonnette. Apenas, em e-mail, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional disse que o presidente sempre agradeceu "o profissionalismo, o patriotismo e a coragem" dos envolvidos na operação.

Além de contradizer a versão oficial, o Seal afirmou que nenhum de seus colegas nutria simpatia por Obama e temiam que o presidente usasse a ação politicamente. Um deles teria dito, em tom cético, que eles haviam "acabado de reeleger" o presidente.

A operação para matar Bin Laden é considerada por muitos como uma das principais realizações de Obama em seu mandato. Republicanos, porém, questionam a forma como o presidente usou o episódio, acrescentando que qualquer um que estivesse no cargo também teria dado a ordem para matar o saudita.

Há críticas ainda a Obama por ter contribuído com um filme que contará uma versão mais positiva para o presidente da operação. O livro de Bissonnette foi escrito de forma independente e ele pode ser processado por divulgação de segredos.

Antes de sua identidade ser divulgada, Bissonnette pretendia aparecer mascarado em entrevistas para as TVs americanas. No livro, ele não conta quem teria sido o autor dos tiros que mataram Bin Laden.

Ameaças

Vários sites de grupos ligados à Al-Qaeda juraram de morte Bissonnette pela publicação do livro. Após a publicação em uma emissora norte-americana, sua fotografia se espalhou por sites jihadistas de todo o mundo ao lado de promessas de vingança pela morte do líder Bin Laden.

Pronunciamento

Na ocasião da morte de Bin Laden, o presidente Barack Obama afirmou que, desde 11 de setembro de 2001, os EUA estavam em busca de justiça e em guerra com a Al-Qaeda "para proteger nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados". "Logo após assumir o cargo, eu orientei Leon Panetta, o diretor da CIA, a tornar a morte ou captura de Bin Laden a principal prioridade em nossa guerra contra a Al-Qaeda", enfatizou.

Em seu pronunciamento, Obama citou um tiroteio entre tropas americanas e Bin Laden antes da morte do líder da Al-Qaeda. "Hoje, sob a minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação direcionada contra aquele complexo em Abbottabad, Paquistão. Uma pequena equipe de americanos realizou a operação com coragem e capacidade extraordinárias. Nenhum americano foi ferido. Eles tomaram o cuidado de evitar mortes de civis. Após um tiroteio, mataram Osama Bin Laden e tomaram custódia de seu corpo."

Com estadão.com.br

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