Livro e filme sobre ''os 33'' já estão sendo preparados

Festa. Parente de operário comemora o término do trabalho de perfuração no acampamento montado sobre a mina chilena

, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2010 | 00h00

Mais de dois meses de provação no centro da terra transformaram os 33 mineiros de San José em celebridades. Já há propostas de livros e filmes sobre a desventura dos 32 chilenos e 1 boliviano, presos a quase 700 metros de profundidade desde 5 de agosto. A editora Random House vai publicar uma narrativa da aventura entre 60 a 90 dias após o resgate. O canal espanhol Antena 3 anunciou que fará um filme.

Muitos preveem fama e royalties para os heróis das galerias subterrâneas depois de sua libertação. O diretor chileno Rodrigo Ortúzar quer fazer um filme chamado Os 33, e reverter todo o dinheiro da bilheteria para uma fundação que apoie a educação dos filhos dos mineiros.

Mas, por enquanto, o assédio da mídia só está produzindo transtorno e confusão para os parentes e cidades da região.

Parentes não aguentam mais dar entrevistas - como disse um repórter, há dez jornalistas para cada entrevistado, disputando a tapa declarações. Lila Ramírez, mulher de Mario Gómez, o mais velho dos mineiros, com 63 anos, disse que vai começar a cobrar para dar entrevistas. "Só consegui tomar café da manhã agora (eram 11 horas), estou o tempo todo dando entrevistas", disse Lila ao Estado.

Carolina, filha de outro dos mineiros presos, Franklin Lobos, o ex-jogador de futebol, disse ser contra a iniciativa de cobrar por entrevistas. "Os mineiros é que devem decidir, quando saírem, o que querem fazer."

Os hotéis de Copiapó e Caldera, cidades mais próximas, estão lotados. Há 300 equipes de jornalistas estrangeiros credenciados, mas o total de repórteres ultrapassa 1.500.

Paulo Muñoz, repórter do jornal La Tercera que cobriu o terremoto chileno em fevereiro, estava impressionado. "Morreram mais de 500 pessoas no terremoto, mas aqui tem muito mais jornalista estrangeiro."

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