'Lobby do rifle' segue firme no combate a nova legislação

Cenário: Eric Lichtblau / NYT

O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h03

Líderes da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) disseram nesta semana que combateriam quaisquer novas restrições à venda de armas implementadas no Congresso, e deixaram claro que não estão interessados em trabalhar com o presidente Barack Obama para ajudar a desenvolver uma resposta ampla ao massacre na escola de Connecticut.

Durante uma participação no programa NBC News Meet the Press, Wayne LaPierre, o vice-presidente do poderoso lobby das armas, foi abertamente contra uma força-tarefa proposta por Obama e chefiada pelo vice-presidente Joe Biden Jr., que está analisando maneiras de reduzir a violência envolvendo armas.

"Se é um painel a ser formado simplesmente pelo bando de pessoas que nos últimos 20 anos vem tentando destruir a Segunda Emenda, não estou interessado em participar desse painel", disse LaPierre, acrescentando que a "NRA não vai permitir que pessoas percam a Segunda Emenda, que é apoiada pela imensa maioria do povo americano".

Num briefing noticioso de grande audiência na sexta-feira, LaPierre disse que a solução da NRA para impedir assassinatos em massa como os que ocorreram nos últimos anos - vários deles em ambientes escolares - era colocar guardas armados nas escolas em todo o país. Durante o briefing, ele e o presidente da NRA, David Keene, não trataram diretamente dos planos propostos na semana passada que proibiriam a venda de fuzis de assalto ou restringiriam em geral a disponibilidade de armas de fogo.

Mas durante uma rodada de comparecimentos a talk shows no domingo, LaPierre, Keene e o ex-congressista republicano de Arkansas, Asa Hutchinson, que chefiará a resposta da NRA à chacina em Newtown, Connecticut, deixaram claro que a NRA se opunha a quaisquer restrições às armas em discussão e não acreditava que devia tomar parte na discussão.

Sobre a questão sobre se uma limitação à munição de alta capacidade reduziria a probabilidade de chacinas como a de Connecticut, LaPierre disse num debate tenso com David Gregory, o apresentador de Meet the Press: "Não acredito que reduza".

"Eu continuo dizendo isso, e você simplesmente não aceita - não vai funcionar. Não funcionou", disse LaPierre.

Quanto à ideia de reintroduzir uma proibição aos fuzis de assalto, que esteve em vigor de 1994 a 2004, ele disse: "Acho que é uma lei falsa e não acredito que vá ser aprovada por esta razão: ela é toda construída sobre mentiras que foram expostas." Apesar de a NRA ter sido criticada asperamente pelos defensores do controle de armas desde que quebrou o silêncio sobre o tiroteio em Connecticut na sexta-feira, ela recebeu certo apoio do senador Lindsay Graham, o influente republicano da Carolina do Sul que também compareceu a Meet the Press.

"Pessoas de onde eu moro me abordaram: 'Por favor, não deixe que o governo tire as minhas armas'", disse Graham. "E eu vou me posicionar contra outra proibição às armas de assalto porque isso não funcionou antes, e não funcionará no futuro." Sobre a grande questão em Washington no momento - as negociações sobre um acordo para a redução do déficit para evitar aumentos de impostos e cortes de gastos para entrar em vigor após o Ano-novo - republicanos e democratas expressaram pessimismo sobre a possibilidade de firmarem um acordo em tempo, e passaram boa parte da manhã acusando-se mutuamente pelo impasse.

"Acredito que o presidente está ansioso para saltar no abismo por razões políticas", disse o senador John Barrasso, republicano de Wyoming, na Fox News Sunday. "Ele sente uma vitória no fundo do abismo. Acho que isto prejudica nosso país e prejudica nossa economia." Para o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York, são os republicanos que estão manipulando a política com as negociações fiscais e assumindo o risco de jogar o país no chamado "abismo fiscal".

"Se cairmos nele, Deus não permita, e eu ainda acho que não precisamos cair, o povo americano vai culpar o Partido Republicano", disse Schumer em Meet the Press.

Alguns parlamentares não se mostraram muito mais otimistas quando indagados sobre as perspectivas de o Senado confirmar Chuck Hagel, o ex-senador republicano de Nebraska, que é considerado o principal candidato para suceder a Leon E, Panetta como secretário de Defesa. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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