Lobby por Nobel da Paz pode ser tiro pela culatra

Os esforços de lobby referentesao Prêmio Nobel da Paz podem transformar-se em um tiro pelaculatra, afirmou uma importante autoridade do Nobel naterça-feira. Geir Lundestad, diretor do Instituto Norueguês do Nobel,disse que a tarefa de escolher o vencedor do prêmio de 1,5milhão de dólares já era difícil o suficiente sem as cartas deapoio, os telefonemas, as visitas e outros esforços de lobby. O nome do ganhador do prêmio em 2007 deve ser anunciado emOslo na sexta-feira. Houve, para esta edição do Nobel da Paz,um número recorde de 181 indicados. "Todos os anos, surgirão duas ou três campanhas -- desimpatizantes dos candidatos -- que nos abarrotam com cartas deapoio", disse à Reuters Lundestad, secretário do ComitêNorueguês do Nobel, o órgão encarregado de escolher o vencedordo prêmio. "Houve dois ou três casos desse tipo neste ano também",afirmou Lundestad, no Instituto Nobel. "A maior parte de tais campanhas não produz efeito. E podemmesmo ser contraprodutivas", disse o diretor do instituto, umadas seis pessoas que sabem a identidade do ganhador do prêmiodeste ano. Lundestad, no entanto, não ofereceu nenhuma pista arespeito dessa informação. Ele tampouco quis identificar os beneficiados pelascampanhas de lobby, mas afirmou esperar que o recorde de 750mil cartas de apoio a um candidato enviadas nos anos 1990"continue para sempre sem ser batido". Aquela pessoa não ganhouo prêmio. Lundestad recomendou que os interessados em apresentar anomeação de um candidato expliquem os motivos pelos quais elemerece vencer em uma carta com não mais de duas páginasacompanhada de material de apoio, quando necessário. "Certamente, há exemplos de campanhas bem-sucedidas emnossa história de 106 anos", afirmou, mencionando a campanhapara o poeta pacifista Carl von Ossietsky, da Alemanha, cujoprêmio concedido em 1935 significou também uma afronta aHitler. Segundo Lundestad, os esforços de lobby não deveriam terqualquer impacto negativo sobre o processo de seleção porque ospróprios candidatos podem não ter ciência das campanhas. Masressaltou que, de toda forma, o lobby provocava uma respostapsicológica negativa. Ele reconheceu ainda que, por vezes, visitar a Noruegahavia melhorado a imagem de um candidato junto ao comitê, masdisse que a maior parte dos vencedores não tinha nunca viajadoaté o país. O comitê não divulga a lista de candidatos, mas algumaspessoas que fazem as indicações tornam público essa escolha. "Potencialmente, todos são candidatos com chances", afirmouLundestad a respeito da lista de 2007. Entre os indicados conhecidos deste ano estão oex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, por seu trabalhode combate às mudanças climáticas, e a ativista canadense dopovo inuit Sheila Watt-Cloutier, que vem chamando atenção paraos problemas enfrentados pelos povos do Ártico devido aoaquecimento global.

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