Pichi Chuang/Reuters
Pichi Chuang/Reuters

Lobby pró-China leva eleitores para votar para presidente em Taiwan

Taiwaneses que vivem no continente ganham folga e passagens para engordar votação

Cláudia Trevisan, enviada especial

13 de janeiro de 2012 | 22h00

TAIPÉ, TAIWAN - Estimulados por folgas, ajuda de custo e voos fretados pelas empresas onde trabalham, pelo menos 200 mil taiwaneses que vivem na China voltaram à ilha nos últimos dias para votar na eleição presidencial deste sábado, 14, que será uma espécie de plebiscito em relação à política de aproximação de Pequim empreendida pelo atual presidente, Ma Ying-jeou, desde 2008.

 

Os milhares de empresários taiwaneses com negócios na China são favoráveis à reeleição de Ma e esperam que o voto de seus empregados aumente suas chances em um pleito extremamente disputado.

 

Analistas acreditam que a maioria dos cerca de 1 milhão de taiwaneses que vivem no continente apoia o presidente, que é líder do Kuomintang, o Partido Nacionalista. Ma enfrenta a candidata do opositor Partido Democrático Progressista (PDP), Tsai Ing-wen, que defende a adoção de medidas que coloquem a ilha no caminho da independência em relação à China e sustenta que a política do presidente põe em risco a soberania do país.

 

Pequim considera Taiwan parte de seu território e ameaça ir à guerra caso Taipé declare formalmente sua independência. Principal garantidor da segurança da ilha, os EUA são obrigados por lei a defender o território em caso de agressão externa, o que explica a importância geopolítica da decisão que 18 milhões de eleitores tomarão.

 

Para os donos das cerca de 70 mil empresas taiwanesas que operam na China, a derrota de Ma pode significar a reversão de uma série de "pontes" favoráveis aos negócios que foram construídas entre os dois lados nos últimos quatro anos, como os voos diretos, a facilitação de investimentos e a abertura da ilha ao turismo chinês.

 

"Se o PDP ganhar, nós tememos que a relação com a China continental fique paralisada ou piore", disse ao Estado Ye Huide, porta-voz da associação quer reúne empresas taiwanesas com investimentos no continente. "Estamos muito preocupados e acreditamos que teremos um papel-chave na eleição", acrescentou. Segundo ele, a maioria das empresas deu folgas ou ajuda de custo para seus empregados viajarem para a ilha.

 

Maior fabricante de eletrônicos do mundo e principal exportadora da China, a Foxconn fretou seis voos para levar seus funcionários de volta a Taiwan a tempo de votar. O presidente da companhia, Terry Gou, declarou publicamente seu apoio à reeleição do presidente.

 

Mas a proximidade de Ma dos grandes grupos econômicos deu munição a Tsai, para quem o governo atual foi marcado pela estagnação da renda dos trabalhadores e o aumento da desigualdade entre ricos e pobres.

 

As duas candidaturas opõem visões distintas do caminho de integração da economia da ilha ao restante do mundo. Enquanto o Kuomintang aposta na aproximação com a China para fortalecer a posição global da ilha, o PDP defende a diversificação das relações e a redução da dependência em relação ao continente.

 

As posições refletem a trajetória de cada um dos partidos e suas concepções contrastantes da identidade local. O Kuomintang surgiu no começo do século passado na China continental e sob a liderança de Chiang Kai-shek combateu os comunistas na guerra civil que terminou com a vitória de Mao Tsé-tung.

 

Diante da derrota em 1949, Chiang Kai-shek e cerca de 2 milhões de seguidores refugiaram-se em Taiwan, para onde "transferiram" a República da China que havia sido criada em 1911, com o fim do império, na expectativa de reunificar o território no futuro.

 

O PDP foi fundado em 1986 e reflete os valores e aspirações dos taiwaneses que há gerações vivem na ilha, principalmente os descendentes dos imigrantes que se estabeleceram na região a partir do século XVI. Na visão da legenda, existe uma identidade própria taiwanesa, que não se confunde com a chinesa. 

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