Travis Dove/The New York Times
Travis Dove/The New York Times

Local de ataque em Charleston, igreja teve papel de destaque na história dos EUA

Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, em Charleston, abrigou escravos que organizaram rebelião e foi ponto de partida de passeatas liderados por Martin Luther King

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 15h46

WASHINGTON - Conhecida como Mãe Emanuel pelos moradores de Charleston, a igreja onde nove pessoas foram assassinadas a tiros ontem tem uma longa história de ativismo no movimento negro dos EUA, que remonta ao início do século 19, quando foi fundada por afro-americanos que defendiam o fim da escravidão.

Nos anos 50 e 60, o templo viu sermões em defesa dos direitos civis e pelo fim da segregação entre brancos e negros, que sobrevivia um século depois da Guerra Civil que levou à abolição. Entre outros líderes, Martin Luther King Jr. pregou de seu altar, em 1962. Sete anos mais tarde, sua mulher, Coretta King, liderou uma marcha a partir da escadaria da igreja em defesa da sindicalização de trabalhadores em hospitais, a maioria dos quais era negra.

"Mãe Emanuel é, na verdade, mais que uma igreja", disse nesta quinta-feira, 18, o presidente Barack Obama. "Esse é um lugar de culto fundado por afro-americanos que buscavam a liberdade. Essa é uma igreja que foi queimada até o chão quando seus integrantes atuavam para acabar com a escravidão", lembrou o primeiro presidente negro dos EUA.

Criada em 1816 pelo pastor Morris Brown, a Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel foi destruída em 1822, quando um de seus líderes foi acusado de organizar uma rebelião de escravos. A congregação se reconstruiu após o fim da Guerra Civil (1861-1865), que teve origem na oposição dos Estados do Sul ao fim da escravidão defendido pelo Norte. Em 1886, a igreja foi de novo destruída, desta vez por um terremoto. O prédio de madeira foi substituído por um de tijolos em estilo gótico, que sobrevive até hoje.

"Quando havia leis banindo reuniões em igrejas apenas de pessoas negras, eles realizavam seus serviços religiosos em segredo. Quando houve um movimento não violento para colocar nosso país em linha com nossos elevados ideais, alguns de nossos líderes mais brilhantes falaram e lideraram marchas das escadarias da igreja", ressaltou Obama. "Esse é um lugar sagrado na história de Charleston e da história dos Estados Unidos."

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