Logística é desafio para Brasil em Pyongyang

Embaixador Carrilho terá de conviver com restrições a dólar e a celulares

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Abatida no ar pelo teste nuclear de segunda-feira, a instalação do novo embaixador brasileiro na Coreia do Norte depende agora da volta de Pyongyang à mesa de negociação com a comunidade internacional, afirmou ontem o próprio nomeado, Arnaldo Carrilho. "Os canais diplomáticos da Coreia do Norte estão entupidos", disse o diplomata ao Estado em Pequim, onde aguarda o sinal verde do Itamaraty para assumir o posto. Previsto inicialmente para amanhã, seu embarque foi adiado por tempo indeterminado. Carrilho passou 37 de seus 71 anos de idade em missões diplomáticas no exterior e serviu 10 anos na Ásia - 5 em Hong Kong e 5 na Tailândia. A Coreia do Norte será seu quarto posto em um país comunista, depois da Polônia (1967-1971), Berlim Oriental (1973-1974) e Laos (1996-2001), que estava na jurisdição da Tailândia.Antes de Pyongyang, foi embaixador junto à Autoridade Palestina, um forte indício de seu gosto por missões difíceis. Carrilho morava na parte leste de Jerusalém e atravessava diariamente o muro que separa a cidade do território palestino. Mas nada se compara à complicação logística de se instalar uma embaixada em um dos países mais fechados do mundo. A mais óbvia é a financeira. A Coreia do Sul não permite a entrada de dólares no país - a moeda utilizada pela Secretaria do Tesouro brasileiro para pagamentos no exterior. Para contornar o problema, a embaixada na Coreia do Norte teve de abrir uma conta em Pequim, onde receberá as remessas do Brasil em dólares. A cada 15 dias, um funcionário sairá de Pyongyang e irá à capital chinesa para converter os recursos em euros e enviá-los para o Banco de Comércio Exterior da Coreia do Norte. A viagem para a China também servirá para abastecer a embaixada e a residência oficial de suprimentos que não existem em Pyongyang, cujo comércio com o restante do mundo sofre grandes restrições. O isolamento e o forte controle oficial ficarão claros logo no desembarque, quando Carrilho e sua mulher, Maria Helena, terão de entregar seus telefones celulares às autoridades locais - os aparelhos só serão resgatados quando saírem o país. O embaixador chegou a Pequim no domingo, véspera do teste nuclear que suspendeu sua instalação em Pyongyang. Antes de partir para a missão, Carrilho havia feito um périplo pelos países que integram a negociação de seis partes com a Coreia do Norte - EUA, Coreia do Sul, China, Rússia e Japão. Junto com a bagagem, Carrilho carrega vários projetos na área cultural, como uma exposição do trabalho de Oscar Niemeyer e a realização de mostras de cinema brasileiro. Mas tudo está agora em compasso de espera. MISSÕES ESPINHOSASPolônia - Representante diplomático entre 1967 e 1971Berlim Oriental - Entre 1973 e 1974Laos - De 1996 a 2001, sob a jurisdição da TailândiaAutoridade Palestina - De 2006 a 2007

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