Stephanie Keith/ The New York Times
Stephanie Keith/ The New York Times

Lojas famosas de Nova York se preparam para possíveis atos de violência após a eleição 

Na véspera do dia da eleição, as lojas nos bairros comerciais de Manhattan fecharam, refletindo a ansiedade entre os varejistas de todo o país

Michael Gold e Ali Watkins, The New York Times, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 18h40

As janelas da Saks Fifth Avenue, que há décadas impressionam os turistas, foram fechadas com tábuas na manhã desta segunda-feira, 2. No SoHo, bairro onde os compradores da moda costumavam ir ver as lojas reluzentes, ecoava o som de martelos.

A calçada do lado de fora da Disney Store na Times Square estava cheia não de crianças cativadas com orelhas de rato, mas de trabalhadores prendendo madeira compensada na fachada da loja.

As lojas nos bairros comerciais mais conhecidos da cidade de Nova York - estranhamente silenciadas em face de uma pandemia e recentemente tentando retornar - estavam fechando suas janelas para uma possível agitação ligada a uma disputa presidencial acirrada.

O mar de madeira compensada se estendeu em menor escala em distritos comerciais mais modestos no Bronx e Brooklyn, refletindo a ansiedade nacional mais ampla em torno da disputa entre o presidente Donald Trump e Joe Biden. Havia crescentes temores de que não importa quem ganhe, o resultado da eleição pode incluir violência.

Varejistas nos Estados Unidos disseram que estão tomando medidas para se preparar para possíveis confusões. Em Beverly Hills, a polícia disse que iria fechar a famosa Rodeo Drive na terça e na quarta-feira. O gigante do varejo Walmart disse inicialmente que estava removendo munições e armas de fogo das áreas de vendas das lojas em todo o país, uma decisão que mais tarde reverteu.

Violência de protestos 

As empresas na cidade de Nova York estão particularmente nervosas, preparando-se para outro golpe, devido a uma breve onda de vandalismo que ocorreu no início dos protestos durante o verão. Os saqueadores invadiram lojas de alto nível no SoHo e no centro de Manhattan - incluindo a principal loja da rede Macy's em Herald Square.

Os danos - que mancharam protestos pacíficos em geral - feriram gravemente uma comunidade de varejo que já estava se recuperando de meses de paralisações relacionadas à pandemia.

Incidentes separados de saques fora do distrito comercial central de Manhattan, incluindo no centro do Brooklyn e uma área comercial no bairro de Fordham no Bronx, abalaram ainda mais os proprietários de negócios.

Não há como prever o que pode acontecer no dia da eleição, mas os empresários estão preocupados. Vários deles entraram em contato com o Departamento de Polícia para perguntar se as autoridades aconselham colocar madeira em suas janelas, disse um policial.

Um funcionário, que não estava autorizado a falar publicamente, disse que o departamento informou às empresas que era um julgamento que elas teriam de fazer por conta própria.

No Brooklyn, James O’Brien, 29, um funcionário da "I Lock New York", uma empresa de chaveiro, disse que passaria o dia todo nesta segunda fechando negócios na Fulton Street.

A empresa está ocupada desde a semana passada, disse O’Brien. No início deste verão, muitas empresas não haviam pensado em fechar até que os protestos já tivessem começado.

Em Manhattan, a loja principal da Macy's em Herald Square estava coberta com compensado pintado de preto. Uma porta-voz disse que as janelas "estavam programadas para ficarem escuras" para que a empresa pudesse colocar suas decorações anuais de Natal, mas ela acrescentou que a Macy's implementou segurança adicional em vários locais.

Prejuízos 

Mesmo assim, muitas empresas na cidade optaram por não tomar precauções visíveis. Wellington Z. Chen, o diretor executivo da Chinatown Partnership, disse que não encontrou muitas lojas em seu bairro que estavam fechando. Fazer isso era muito caro para as pequenas empresas do bairro, disse ele, e a maioria dos lojistas não acreditava que fosse sofrer danos.

No Bronx, a maioria das lojas no distrito comercial em torno de East Fordham Road e Grand Concourse, onde ocorreu o saque em junho, não foi fechada com tábuas na manhã desta segunda-feira.

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Joseph Yang, o gerente de uma loja de produtos de beleza chamada Forever, disse que não tinha planos de colocar madeira compensada em suas janelas, portas ou fechar seu negócio. Ainda assim, ele admitiu estar preocupado com a possível agitação.

“Eu apenas me preocupo”, disse Yang, 43,. “Não quero que a mesma coisa aconteça de novo, mas planejamos continuar abrindo e ver o que acontece.”

Perto dali, uma filial da Foot Locker, que havia sido arrombada durante o verão, mantinha as suas persianas fechadas durante a manhã. Cerca de uma dúzia de clientes faziam fila do lado de fora quando uma funcionária enfiou a cabeça para fora da porta da loja e pediu aos clientes que saíssem.

“Não vamos abrir”, disse ela. “Hoje, amanhã, quarta-feira - não vamos abrir a loja!” Ela não deu uma explicação. Mas um policial, que se recusou a fornecer seu nome, disse aos compradores que esperavam do lado de fora da loja para irem embora. “Está vindo da sede, não depende deles”, disse ele aos compradores. “Eles estão esperando que as pessoas venham fechar suas janelas.”/ TRADUÇÃO DE ANDREZA GALDEANO

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