John Woods/The Canadian Press via AP
John Woods/The Canadian Press via AP

Lojas que vendem maconha no Canadá ficam sem estoque

Maioria dos consumidores estava contente com o fim da proibição, mas alguns expressaram desapontamento por não conseguir comprar maconha no primeiro dia da legalização

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2018 | 21h28

OTTAWA, CANADÁ - O segundo dia da legalização do uso recreativo da maconha no Canadá, nesta quinta-feira, 18, teve longas filas fora das lojas que vendem o produto, sentindo a falta de estoque em partes do país. 

A maioria dos consumidores estava contente com o fim da proibição, mas alguns expressaram desapontamento por não conseguir comprar maconha no primeiro dia.

Outros se recusaram a pagar os preços relativamente altos - variando entre 5,25 dólares canadenses em Quebec a 18,99 dólares canadenses em Saskatchewan por grama -, em comparação com o mercado paralelo, que viu o preço médio cair no ano passado para 6,79 dólares canadenses por grama.

Depois de esperar sete horas na fila em uma loja no centro de Montreal na quarta-feira, Alexandre, de 30 anos, disse que teve de ir embora às 21h (22h de Brasília), horário de fechamento do estabelecimento. A polícia interveio para dispersar a multidão, mas não houve registro de incidentes. 

"Foi um inferno, estava frio", contou Alexandre. "Mas nos divertimos mesmo assim, conversando com as pessoas e compartilhando casos".

E ele estava de volta na manhã desta quinta-feira para tentar mais uma vez. "Ontem foi o dia que todo mundo estava esperando, mas acho que aos poucos a fila irá diminuir", afirmou.

Em Ontário, província mais populosa do Canadá, 38 mil encomendas de maconha no valor de 750 mil dólares canadenses foram processadas nas primeiras horas de quarta-feira, enquanto na vizinha Quebec, 42 mil pedidos foram feitos em lojas físicas e on-line, superando todas as expectativas.

"Esse volume de pedidos excede em muito as previsões", declarou um vendedor de Quebec, dizendo que seria "difícil antecipar o volume das vendas por conta da falta de dados de um setor que há 48 horas era ilegal".

Legalização

Um comunicado acrescentou que a falta de oferta em curto prazo é esperada devido à "expectativa em torno da legalização da cannabis e da escassez do produto em todo o Canadá".

Na quarta-feira, o Canadá se tornou a primeira grande economia do mundo, e apenas o segundo país do planeta, depois do Uruguai, a legalizar o uso recreativo da maconha e embarcar no polêmico experimento na questão da política das drogas.

O primeiro-ministro liberal, Justin Trudeau, defendeu a legalização, cumprindo uma promessa de campanha de 2015, com o objetivo de proteger os jovens e de acabar com o tráfico de drogas. / AFP 

 

Tudo o que sabemos sobre:
maconhaCanadá [América do Norte]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.