Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Londres admite pagar UE antes de acordo comercial

Secretária britânica declara que fatura do Brexit não está vinculada à assinatura de tratado com Bruxelas

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 20h40

LONDRES - A secretária britânica para o Brexit, Suella Braverman, admitiu nesta quarta-feira que o pagamento da fatura da separação da União Europeia não está vinculado à assinatura de um novo acordo comercial, embora Londres tente dar a entender o contrário. Questionada por uma comissão parlamentar, Braverman acabou admitindo que o acordo de saída, que está quase finalizado e assinado, “não contém aspectos de condicionalidade”.

Em dezembro, a primeira-ministra britânica, Theresa May, tinha aceitado honrar todos os compromissos financeiros assumidos por seu país no âmbito da UE – uma fatura calculada entre € 40 bilhões a € 45 bilhões. Contudo, seu ministro para o Brexit, David Davis, afirmou que o pacto era “condicionado à obtenção de um período de transação e de um resultado sobre o acordo comercial”. Segundo Braverman, porém, “há uma obrigação de boa-fé” dos dois lados. 

Os parlamentares britânicos devem votar o acordo de saída apenas alguns meses antes da data estabelecida para o Brexit: 29 de março de 2019. Londres e Bruxelas chegaram a um acordo preliminar em dezembro sobre três questões principais: o projeto de lei de saída, os direitos dos cidadãos europeus e a fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda. 

O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, afirmou na terça-feira que o Brexit custará a cada lar britânico mais de 900 libras (cerca de R$ 4.350). Ele argumentou, perante a Comissão de Tesouraria do Parlamento, que a economia britânica deve registrar um crescimento de até 2% abaixo das expectativas calculadas em 2016.

Outra visão pessimista é a de Jon Thompson, diretor executivo do Departamento de Receitas Aduanas, ligado à Secretaria do Tesouro. Nesta quarta-feira, ele afirmou que o Brexit pode custar para as empresas britânicas até 20 bilhões de libras anuais, apenas em novas tarifas criadas após a separação. 

Alemanha. O governo alemão afirmou nesta quarta-feira que o número de britânicos que recebeu a cidadania alemã alcançou novo recorde no ano passado. O aumento, segundo Berlim, está relacionado ao resultado do referendo de 2016 pela saída do Reino Unido da União Europeia, conhecido como Brexit. Desde a votação, cidadãos britânicos têm buscado novos passaportes nos demais países europeus para preservar seu direito de viver e de trabalhar no bloco. 

O Escritório de Estatística Federal da Alemanha afirmou ontem que 7.493 britânicos foram naturalizados em 2017. Um ano antes, apenas 2.865 britânicos haviam recebido a cidadania alemã – um número três vezes maior que o de 2015. Os britânicos foram a segunda nacionalidade em número de pedidos de cidadania alemã no ano passado, ficando atrás apenas da Turquia. Nos últimos dois anos, 10.358 britânicos obtiveram nacionalidade alemã, mais que o dobro do total registrado entre 2000 e 2015. / AP, AFP e EFE

 

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