Londres amplia campanha contra separação da Escócia

Políticos britânicos Cameron, Clegg e Miliband vão à capital escocesa para convencer eleitorado indeciso

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h03

Os líderes dos mais importantes partidos políticos da Grã-Bretanha vão hoje para a Escócia, em uma tentativa urgente de evitar a independência do país no plebiscito da semana que vem. O primeiro-ministro, David Cameron, o vice-premiê, Nick Clegg, e o líder da oposição, o trabalhista Ed Miliband, visitarão Edimburgo e o interior do país para reforçar a campanha Better Together, que defende o "Não" à separação da Grã-Bretanha.

Ontem, dois institutos de pesquisas mostraram empate técnico, mas a tendência de alta continua a favor dos independentistas. O objetivo dos líderes políticos é mobilizar os indecisos, que podem decidir a votação. "Nossa mensagem para a população escocesa será simples: queremos que vocês fiquem (na Grã-Bretanha)", afirmaram Cameron e Clegg em comunicado divulgado ontem.

O premiê deve apresentar hoje medidas do pacote de "transferência de poderes" para ampliar a soberania da Escócia em troca de sua permanência na união. "Vocês verão um plano de ação para dar mais poder à Escócia sobre impostos e despesas e mais autonomia para gerenciar o Estado", antecipou o secretário do Tesouro, George Osborne.

Prometer o fortalecimento do Estado de bem-estar social é uma das estratégias da campanha do "Não" à independência para conquistar o eleitorado escocês, que tradicionalmente vota em peso no Partido Trabalhista. As medidas também tentam conter as críticas ao programa de austeridade fiscal do governo de Cameron.

Em resposta, Alex Salmond, primeiro-ministro da Escócia, líder do Partido Nacional Escocês (SNP) e da campanha do "Sim", criticou a "estratégia do medo" de Londres e o que chamou de "medidas de pânico de último minuto" a serem anunciadas em Edimburgo.

A mobilização política acontece no momento em que novas pesquisas divulgadas ontem na Grã-Bretanha confirmam a tendência de votação aperta na decisão sobre a independência. Duas novas sondagens confirmam o empate técnico. Em uma delas, realizada pelo instituto TNS Scotland, 39% dos entrevistados se disseram contra a separação; 38% anunciaram que votarão pela secessão.

O maior problema da campanha Better Together é a tendência de alta da Yes Scotland, a favor da separação. Há um mês, o mesmo TNS Scotland indicava uma vantagem de 13% em favor do "Não" - 45% a 32%. "É apertado demais para fazer prognósticos", afirmou o presidente do instituto, Tom Costley.

O cenário de incerteza se agravou ontem, depois de o presidente do Banco da Inglaterra (o banco central britânico) descartar a possibilidade de a Escócia independente usar a libra como moeda. As alternativas seriam usar a divisa inglesa de maneira informal, sem um Banco Central; criar sua própria moeda, que ficaria a cargo de uma autoridade monetária independente; ou, em médio prazo, aderir ao euro, sujeitando-se às normas do Banco Central Europeu.

Mais conteúdo sobre:
Escócia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.