REUTERS/Marco Bello
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Londres confisca remessa de ouro venezuelano

Lingotes estavam sendo levados da Suíça para as Ilhas Cayman, mas a rota tinha começado na Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 20h55

LONDRES - O Reino Unido apreendeu um carregamento de 104 quilos de ouro, avaliado em US$ 5 milhões, em meio a uma investigação internacional sobre um cartel de drogas sul-americano. O ouro seria levado da Suíça para as Ilhas Cayman, mas a rota tinha começado na Venezuela.

A informação é da Agência Nacional contra o Crime (ANC), que participou da operação do dia 1.º com a agência de fronteiras no aeroporto de Heathrow.

As autoridades das Ilhas Cayman, com a cooperação da ANC, abriram uma investigação por suposta lavagem de dinheiro. “Acreditamos que o carregamento esteja vinculado aos cartéis de drogas que atuam na América do Sul. Trabalhando com colaboradores, pudemos identificar rapidamente e conter o plano”, disse o comandante da ANC, Steve McIntyre.

“O modelo de negócios de muitos grupos do crime organizado tem como base a capacidade de passar dinheiro pelas fronteiras para financiar suas atividade delitivas”, acrescentou McIntyre, sem esclarecer a origem dos pequenos lingotes de ouro.

A mineração ilegal de ouro tem se tornado cada vez mais comum na Venezuela. Os carregamentos que deixam o país, no entanto, nem sempre são enviados por organizações criminosas. Desde o início de abril, o governo de Nicolás Maduro vendeu mais de 24 toneladas de ouro, desafiando o bloqueio econômico destinado a deter o comércio lucrativo que o chavismo usa para financiar a lealdade dos militares. No mês passado, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu o Banco Central da Venezuela (BCV) em sua lista de entidades sob sanções.

Em janeiro, o governo venezuelano tentou fazer uma retirada milionária em ouro do Banco da Inglaterra, mas o pedido foi rejeitado. Funcionários do BCV haviam pedido a retirada de US$ 1,2 bilhão em ouro, que é parte dos US$ 8 bilhões que a Venezuela mantém como reserva no exterior. 

Nos últimos meses aumentaram as denúncias sobre os saques que o regime Maduro está fazendo de recursos em minérios do país, incluindo reservas de diamante e coltan (usado em smartphones), para obter moeda forte e se manter no poder. / AP 

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