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Londres congela diálogo até Irã libertar militares

O Reino Unido decidiu congelar todos os contatos com o Irã nesta quarta-feira, 28, até que os 15 militares britânicos detidos por forças iranianas no Golfo Pérsico na última sexta-feira, 23, sejam libertados. A decisão, que amplia as tensões entre os governos de Londres e Teerã, coincidiu com a divulgação de coordenadas de satélite pelo Ministério da Defesa britânico que comprovariam que os marinheiros e fuzileiros navais foram detidos ilegalmente em águas territoriais iraquianas. A suspensão de todas as conversas bilaterais foi anunciada pela ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett. "Ninguém deveria ter dúvidas da seriedade de um evento como este", disse ela. Segundo Beckett, as medidas incluem o cancelamento de todas as viagens oficiais entre o país e o Irã e um embargo na emissão de vistos a autoridades iranianas. "Nenhum negócio de governo a governo será realizado em nenhum outro assunto", afirmou ela, acrescentando que o apoio do governo britânico a outros eventos bilaterais como missões comerciais ao Irã também devem ser suspensos.Em outro sinal de acirramento da crise, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse em pronunciamento à Câmara dos Comuns que é hora de "aumentar as pressões internacionais e diplomáticas" sobre o Irã. Os 15 marinheiros e fuzileiros navais foram detidos por forças iranianas no Golfo Pérsico, acusados de entrar nas águas do Irã. O governo do Reino Unido nega a acusação, e alega que os militares estavam em uma operação de rotina em águas iraquianas quando foram abordados.SatéliteAntes do anúncio do congelamento dos contatos, funcionários britânicos tentaram provar mais uma vez que a embarcação do Reino Unido estava em águas iraquianas, e não iranianas, quando foi capturada. Segundo o Ministério da Defesa, o governo iraniano mudou de domingo para segunda as coordenadas relativas ao posicionamento a lancha interceptada fornecidas ao governo britânico, o que comprovaria a má intenção das autoridades de Teerã. De acordo com o vice-almirante Charles Style, as coordenadas fornecidas pelo governo iraniano no domingo mostravam a embarcação britânica em águas iraquianas. Com a correção feita na segunda-feira, o local em que a intercepção teria ocorrido foi mudado, colocando a lancha quatro quilômetros dentro de águas territoriais do Irã."É difícil de acreditar em uma razão legítima para essa mudança de coordenadas", disse Style, que acrescentou que, segundo dados de satélite, a embarcação estaria na verdade 3,15 quilômetros dentro de águas iraquianas. Ainda segundo o vice-almirante, a embarcação de bandeira indiana interceptada pela lancha britânica no dia do incidente confirmou os dados de satélite divulgados pelo governo britânico.Posição iranianaO Irã manteve as posições que vinha sustentando. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, negou a informação. "Isso não é verdade. Aconteceu em águas iranianas", declarou. Em um comunicado divulgado à imprensa, o governo iraniano também divulgou sua versão para as coordenadas de satélite do local da abordagem. "O Irã já providenciou as coordenadas geográficas do local de detenção ao governo britânico, e tem evidências suficientes, incluindo dados de GPS, que indicam uma penetração de 0,5 quilômetros em águas iranianas", diz a nota.Apesar do tom de confrontação, ao menos uma notícia indica que ainda há a possibilidade de uma saída diplomática para a crise. Em entrevista concedida durante a cúpula da Liga Árabe em Riad, na Arábia Saudita, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, anunciou que a única mulher presa durante o incidente de sexta-feira será libertada entre quarta e quinta-feira. Mais tarde, a TV estatal iraniana divulgou imagens dos militares, que aparentavam boas condições de saúde. Matéria alterada às 14h16, para acréscimo de informações

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