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Londres detém 6 após ameaça a papa

Funcionários de empresa de limpeza, supostamente argelinos, teriam planejado ataque a Bento XVI; agenda do pontífice é mantida

, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Seis suspeitos de planejar um ataque terrorista contra o papa Bento XVI foram detidos ontem pela polícia britânica, colocada em alerta máximo por causa da visita do pontífice a Londres. Autoridades não revelaram a identidade dos presos, que teriam entre 26 e 50 anos, mas a rede de TV Sky informou que todos teriam nacionalidade argelina.

O Vaticano garantiu que a agenda do papa não será alterada por causa do incidente e disse que o líder da Igreja Católica está "calmo". No entanto, a segurança em toda capital britânica será reforçada hoje, quando centenas de manifestantes prometem protestar contra o pontífice marchando do Hyde Park até a residência oficial do primeiro-ministro David Cameron, no Downing Street, número 10.

Argelinos. As prisões teriam sido feitas antes do amanhecer. Cinco suspeitos que trabalhariam como faxineiros na mesma companhia foram inicialmente detidos na região central de Londres, perto de Westminster - onde, horas depois, Bento XVI discursou. A polícia prendeu um sexto homem oito horas depois, mas não está claro se ele também era funcionário da empresa de limpeza.

Ao todo, a polícia realizou buscas em oito residências e dois estabelecimentos comerciais na cidade. Autoridades não confirmam que os suspeitos são argelinos e a Embaixada de Argel em Londres afirma não ter sido informada sobre o caso.

A polícia disse apenas que os homens foram presos por "solicitar, preparar ou instigar atos de terrorismo".

A visita de quatro dias do papa à Grã-Bretanha ocorre sob forte esquema de segurança. O líder religioso é apenas transportado no "papamóvel", que tem sofisticada blindagem e sempre é escoltado por vários seguranças.

Até ontem, não havia notícias de ameaças sérias de ataques a Bento XVI. Seu antecessor, João Paulo II, quase foi assassinado a tiros em 1981 na Praça de São Pedro e teria sido alvo de vários outros planos de atentado.

"Anticristo". Hoje, o papa deve se encontrar com Cameron e com o vice-premiê, o liberal Nick Clegg. Harriet Harman, um dos líderes da oposição, também deve se reunir com o pontífice.

Bento XVI visitou ontem a região do Parlamento e encontrou-se com líderes religiosos da Grã-Bretanha. Entre eles estava o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder espiritual de 80 milhões de fiéis da Igreja Anglicana, espalhados pelo mundo.

Centenas de manifestantes protestaram a poucas quadras do local do encontro, chamando o papa de "anticristo" e carregando imagens de crianças que teriam sido abusadas sexualmente por funcionários da Igreja. / REUTERS

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