Londres deve extraditar suspeitos da morte de Litvinenko

O Reino Unido tentará obter a extradição das pessoas que podem ser acusadas da morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, falecido em novembro em Londres após ser envenenado com uma substância radioativa, disse neste sábado, 24 o embaixador britânico na Rússia, Anthony Brenton."Nossa posição é que queremos pegar a pessoa que cometeu este crime e que seja castigada", disse Brenton à rede pública de televisão BBC."Faremos tudo o que for necessário para conseguir esse resultado. Se isso implica em extraditar alguém da Rússia, tentaremos consegui-lo", acrescentou Brenton, ao especificar que a investigação do assassinato pode acabar nas próximas semanas.O embaixador fez tais comentários depois de o empresário russo Andrei Lugovoi, principal suspeito da morte de Litvinenko, negar a uma rádio de Moscou seu envolvimento no crime e assegurar que é apenas uma testemunha do caso.Lugovoi foi uma das últimas pessoas a se reunir com o ex-espião no hotel Millennium, de Londres, em 1º de novembro, dia em que Litvinenko foi hospitalizado por envenenamento com polônio 210, uma substância radioativa altamente tóxica.Em janeiro, o jornal britânico The Guardian publicou que o Reino Unido tem a intenção de solicitar à Rússia a extradição do empresário, também ex-espião, para julgá-lo por assassinato, já que, segundo afirma, existem provas suficientes contra ele.A Procuradoria-Geral da Rússia, no entanto, excluiu a possível extradição de Lugovoi porque, segundo a Constituição russa, "os cidadãos do país não podem ser entregues a autoridades estrangeiras para o cumprimento da Justiça".O empresário, que se reuniu em até quatro ocasiões com Litvinenko em Londres, entre meados de outubro e o dia de sua hospitalização, foi interrogado pela Scotland Yard em dezembro, durante a investigação realizada em Moscou.Litvinenko, ex-coronel do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB) que vivia desde 2001 como refugiado no Reino Unido, morreu em 23 de novembro em um hospital de Londres em conseqüência da concentração em seu organismo de altas doses de polônio 210.Em carta divulgada após sua morte, o ex-espião acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás de seu assassinato por ter acusado os serviços secretos da Rússia de provocar várias explosões em Moscou em 1999 para desencadear asegunda guerra chechena.

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