REUTERS/Neil Hall
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Londres diz que redes sociais protegem terroristas e pede ajuda do WhatsApp

Segundo a ministra do Interior, é totalmente inaceitável o fato de que as comunicações entre os suspeitos escapem dos serviços de inteligência porque estão cifradas

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 16h06

LONDRES - Quatro dias depois do atentado diante do Parlamento britânico em Londres, a ministra do Interior, Amber Rudd, defendeu neste domingo que as agências de inteligência tenham acesso às plataformas de serviço de mensagens como o WhatsApp para combater o terrorismo. Os investigadores continuavam buscando possíveis cúmplices e a ministra pediu aos serviços de mensagens que não "sirvam de esconderijo de terroristas".

A ministra disse à BBC que considera totalmente inaceitável o fato de que as comunicações entre suspeitos de atos terroristas possam escapar dos serviços de inteligência porque estão cifradas.

Ela confirmou na Sky News que Khalid Masood, o britânico 52 anos convertido ao Islã que na quarta-feira matou três pessoas atropelando-as com seu carro na Ponte de Westminster antes de esfaquear e matar um policial diante do Parlamento, utilizou o WhatsApp, propriedade do Facebook, um pouco antes do ataque.

"Temos de nos assegurar que as empresas como WhatsApp - e há muitas outras como esta - não sirvam de esconderijo onde os terroristas possam se comunicar entre si", afirmou, anunciado uma reunião na quinta-feira com vários dirigentes de empresas nesse setor para convencê-los a colaborar com as autoridades. "Temos de garantir que nosso serviço de inteligência tenha a capacidade de ter acesso ao Whatsapp", especificou.

"Há investigações em curso sobre os terroristas, estas empresas devem estar do nosso lado e vou tentar convencê-las", afirmou na Sky News.

O WhatsApp reagiu assinalando a predisposição do grupo em ajudar. "Estamos horrorizados com o ataque cometido em Londres esta semana e cooperaremos com as autoridades em suas investigações", assinalou a empresa em um comunicado enviado à AFP.

Os investigadores, por sua parte, acreditam que se trate de um lobo solitário, afirmou Rudd, assinalando, no entanto, que era impossível estar completamente certo disso e que as investigações prosseguem.

Segundo a ministra, ataques como o cometido por Masood poderiam ser impedidos se as autoridades pudessem acessar os serviços cryptografados após obter mandados de busca similares aos usados para ouvir telefonemas ou ler e-mails.

"Queremos entender se Masood agiu sozinho, inspirado pela propaganda terrorista, ou se houve outras pessoas que o incentivaram, apoiaram e deram instruções", declarou no sábado um dos chefes da luta antiterrorista britânico, Neil Basu.

"Nossa investigação continua a um ritmo intenso. Estou muito grato pelo apoio que a população nos deu até agora, mas peço mais ajuda", afirmou.

Depois do atentado, que deixou mais de 40 feridos, além dos 4 mortos, a polícia deteve 12 pessoas suspeitas de participar na preparação do atentado.

Mas apenas duas pessoas continua sob custódia, um homem de 58 anos preso em Birmingham, centro da Inglaterra, e outro de 30 anos detido neste domingo. As outras 10 pessoas foram colocadas em liberdade sem acusações e uma mulher de 32 anos foi colocada em liberdade sob fiança.

A investigação se concentra em entender a motivação do autor do atentado e a preparação do ato.

"Queremos saber se agiu absolutamente sozinho, inspirado por propaganda terrorista, ou se recebeu ajuda de outros", explicou o comandante da unidade antiterrorista da Scotland Yard, Mark Rowley.

Masood tinha 52 anos - uma idade considerada elevada neste tipo de atentado - e seu verdadeiro nome era Adrian Russel. A mudança de nome ocorreu após a conversão ao Islã.

A imprensa britânica informou que ele trabalhou como professor na Arábia Saudita em meados dos anos 2000, quando se radicalizou, antes de retornar ao Reino Unido em 2009.

Ele teve muitos problemas com a lei e tinha várias condenações por agressões e distúrbios públicos, mas não de terrorismo, segundo a polícia. Sua última condenação ocorreu em dezembro de 2003 por posse de arma branca.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado menos de 24 horas depois do ocorrido.

O ataque de Londres ocorreu exatamente um ano depois dos atentados que deixaram 32 mortos em Bruxelas. / AFP

 

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