Londres diz quem quem esnobou a rainha

Mais de 250 rejeitaram homenagem de Elizabeth

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h06

Receber uma homenagem da rainha Elizabeth II é o ápice na carreira de muitos. No entanto, para mais de 250 pessoas registradas em uma até agora secreta lista oficial, a ideia pareceu tão desinteressante que elas dispensaram a oferta da monarca.

O artista Lucian Freud, o escultor Henry Moore e o autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate, Roald Dahl, foram alguns dos que rejeitaram homenagens, segundo documentos liberados pelo governo britânico ontem.

O diretor de Psicose, Alfred Hitchcock, também rejeitou um prêmio em 1962. Só aceitou o título de sir pouco antes de morrer, em 1980. Outras personalidades públicas incluídas na lista oficial são os pintores Francis Bacon e L. S. Lowry e o novelista Aldous Huxley, de Admirável Mundo Novo.

O governo britânico foi forçado a publicar o documento depois de repetidos pedidos com base em leis que determinam o livre acesso à informação. A recusa às homenagens só tinha vindo à tona anteriormente por meio de vazamentos ou se a pessoa envolvida decidia falar sobre a decisão de esnobar a realeza. Muitos reconhecidos escritores estão na relação, que só inclui pessoas que já morreram.

O poeta Philip Larkin abriu mão de se tornar, em 1968, oficial da Ordem do Império Britânico, uma das cinco classes estabelecidas pelo Rei George V em 1927 para reconhecer serviços prestados nas áreas de artes e ciências e em órgãos públicos. Anos depois, Larkin até aceitou uma homenagem, só que com um posto mais alto do que o oferecido anteriormente. Eveyln Waugh, que escreveu Memórias de Brideshead, rejeitou uma homenagem em 1959. Graham Greene, autor de Nosso Homem em Havana e O Americano Tranquilo, fez o mesmo em 1956 - ele só aceitou homenagens no final da vida. O criador de As Crônicas de Narnia, C. S. Lewis, também disse não à rainha.

O governo não deu detalhes sobre o motivo das rejeições. Historicamente, os "esnobadores" deram inúmeras razões, da antipatia à monarquia ou por causa do passado colonizador do país, a simples falta de interesse por honrarias ou o medo de perpetuar o caráter elitista das cerimônias.

J. G. Ballard, cujos livros incluem Crash e O Império do Sol, disse que dispensou uma homenagem por sua produção literária em 2003. "A coisa toda é uma ilógica encenação", disse uma vez ao Sunday Times. "Milhares de medalhas são dadas em nome de um império inexistente. Isso nos faz motivo de piadas." / REUTERS

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