Londres e Quito divergem sobre asilo de Assange

As negociações entre a Grã-Bretanha e o Equador sobre Julian Assange terminaram sem avanço, disse ontem o Ministério das Relações Exteriores britânico. A declaração foi feita quase um ano após Assange, fundador do site WikiLeaks, ter se refugiado na Embaixada do Equador em Londres para evitar a extradição para a Suécia.

LONDRES, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h03

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, e seu colega equatoriano, Ricardo Patiño, concordaram em estabelecer um grupo de trabalho para tentar resolver o impasse diplomático.

"Os dois ministros mantiveram uma reunião bilateral ontem pela manhã por 45 minutos", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

"Os ministros concordaram que as autoridades devem estabelecer um grupo de trabalho para encontrar uma solução diplomática para a questão de Julian Assange, mas nenhum progresso substancial foi feito", acrescentou.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que qualquer solução teria que se encaixar dentro da lei da Grã-Bretanha.

Patiño, que está em visita à Grã-Bretanha, reuniu-se com Assange na embaixada do país sul-americano no centro de Londres, no domingo.

Ele disse a jornalistas após a reunião de Hague: "O governo equatoriano afirma que as razões pelas quais o Equador concedeu asilo ainda são relevantes e, portanto, não vai haver nenhuma mudança em suas circunstâncias", disse Patiño.

Assange, de 41 anos, refugiou-se na embaixada em junho passado para evitar a extradição para a Suécia, onde enfrenta acusações de agressão sexual e estupro, o que ele nega.

O Equador concedeu asilo político em agosto passado, dizendo que temia por sua segurança, mas a Grã-Bretanha deixou claro que ele será preso caso tente sair da embaixada.

Assange teme que, ao ser enviado à Suécia, possa ser novamente extraditado para os Estados Unidos para enfrentar um julgamento pela revelação de milhares de documentos confidenciais dos EUA por meio do WikiLeaks.

O soldado Bradley Manning, que passou as informações confidenciais ao WikiLeaks, está sendo julgado por 27 acusações e pode ser condenado à pena perpétua. / REUTERS

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