Londres expulsa corpo diplomático iraniano

Após invasão de sua embaixada, Grã-Bretanha fecha escritório em Teerã e rebaixa relações com Irã; Paris, Berlim e Oslo retiram embaixadores

LONDRES, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h05

Um dia após 200 estudantes iranianos invadirem a Embaixada da Grã-Bretanha em Teerã, o chanceler britânico, William Hague, anunciou no Parlamento a expulsão de todo corpo diplomático do Irã em Londres. Os diplomatas britânicos que estavam na capital iraniana já deixaram o país, disse Hague.

Em solidariedade à Grã-Bretanha, os governos de França, Alemanha e Noruega também anunciaram a retirada de seus embaixadores "para consultas".

A decisão de Londres coloca as relações com Teerã no nível mais baixo em décadas. Mas, segundo o secretário do Exterior britânico, a medida não representa a ruptura completa dos laços bilaterais.

Ontem a imprensa iraniana identificou os invasores da missão britânica como integrantes da milícia basij - facção jovem ultrarradical e fiel ao regime. Os manifestantes derrubaram o portão principal da embaixada, saquearam os escritórios e levaram documentos diplomáticos - em cenas que lembraram a tomada da missão americana em Teerã, que durou 444 dias entre 1979 e 1980.

Aos gritos de "Morte à Grã-Bretanha", a bandeira britânica foi substituída pela iraniana e as fotos da rainha Elizabeth II acabaram pisoteadas. A invasão ocorreu após o Parlamento iraniano decidir expulsar o embaixador britânico em Teerã, em retaliação à decisão de Londres de impor mais sanções ao Irã.

Expulsão. "Todos os diplomatas britânicos já deixaram o Irã", afirmou Hague em Westminster. "Pedimos o fechamento imediato da embaixada iraniana em Londres e a saída do corpo diplomático em até 48 horas."

Teerã é representada em Londres por 17 diplomatas. O escritório é chefiado por um encarregado de negócios. "Se um país torna impossível nosso trabalho em seu território, ele não pode esperar ter uma embaixada funcionando aqui", disse Hague.

Embaixadas iranianas ao redor do mundo, incluindo a de Brasília, emitiram uma nota dizendo que "o comportamento de alguns manifestantes" que estavam diante da missão britânica foi "inaceitável". A chancelaria do Irã qualificou a decisão de Londres de "precipitada".

A Grã-Bretanha acusou o governo do Irã de ter incentivado o ataque à embaixada. Embora tenham negado a informação, autoridades iranianas mantiveram a retórica anti-Londres. Ali Larijani, líder do Parlamento e aliado do líder supremo, Ali Khamenei, afirmou que a invasão foi reflexo das "décadas de mau comportamento britânico". / NYT

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