Carl Court/AFP
Carl Court/AFP

Londres expulsa diplomatas líbios e convida rebeldes a ocupar embaixada

Com a decisão, o governo de David Cameron pretende transferir US$ 150 milhões que Kadafi mantinha em bancos britânicos para insurgentes; oposição comemora reconhecimento e afirma já ter nome para chefiar missão na Grã-Bretanha

, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

LONDRES

O Foreign Office, chancelaria britânica, ordenou ontem a imediata expulsão de todo corpo diplomático do regime da Líbia que ainda permanecia na Grã-Bretanha. Agora, a embaixada que antes representava a ditadura de Muamar Kadafi será ocupada por um emissário do Conselho Nacional de Transição (CNT), grupo que congrega as várias facções da oposição líbia.

A decisão não tem apenas peso simbólico: simultaneamente ao reconhecimento dos opositores como "única autoridade governamental legítima da Líbia", Londres desbloqueou US$ 150 milhões - acumulados por Kadafi em bancos britânicos - para repassá-los aos insurgentes que tentam avançar até Trípoli.

A notícia foi comunicada ontem ao encarregado de negócios da Líbia em Londres, convocado pelo Foreign Office. O regime Kadafi condenou a decisão da Grã-Bretanha de reconhecer os rebeldes como governo. O embaixador de Kadafi na capital britânica, Omar Jelban, já havia sido expulso pelo governo de David Cameron em meados de maio.

Os sete funcionários que ficaram na Grã-Bretanha têm até três dias para deixar o país. Após a data, o visto dos diplomatas será suspenso e eles estarão ilegalmente em território britânico.

"Trataremos o CNT como qualquer outro governo do mundo", disse o secretário do Exterior de Londres, William Hague. Segundo ele, o reconhecimento da oposição é uma "situação especial" e ajudará "legalmente a desbloquear alguns fundos" para revertê-los à oposição.

A decisão do governo britânico segue as recomendações do chamado "grupo de contato para Líbia", que se reuniu na Turquia no dia 15. O encontro contou com a presença de potências ocidentais, além do governo turco e de representantes do mundo árabe. Na ocasião, 30 países - incluindo Grã-Bretanha, França e EUA - reconheceram o CNT.

Americanos e franceses também tentam fazer com que o dinheiro do petróleo acumulado por Kadafi em bancos fora da Líbia acabe nas mãos dos insurgentes que tentam derrubá-lo.

Festa em Benghazi. Inspirados pelos eventos na Tunísia e Egito, líbios iniciaram em fevereiro na cidade de Benghazi uma ampla rebelião contra a ditadura de Kadafi - no poder há mais de 41 anos. As ameaças do ditador de que "não haveria piedade" contra a oposição, que seria perseguida "como ratos", levou o Conselho de Segurança da ONU a autorizar uma intervenção para "proteger civis". Mas, seis meses depois, a situação no front continua estagnada e Kadafi permanece no controle de Trípoli.

A Grã-Bretanha é um dos países que mais contribui com a ofensiva da Otan. A opinião pública britânica começa a se questionar sobre os motivos que levaram Londres a atacar Trípoli e o modo como os ataques vêm sendo conduzidos.

Em Benghazi, líderes do CNT comemoraram a notícia vinda de Londres. Mustafa Abdul-Jalil, chefe do conselho rebelde, afirmou que o reconhecimento britânico "dá um impulso político e econômico" à oposição. Abdul-Jalil disse já ter o nome para ocupar a embaixada da Líbia em Londres: Mahmud Nacua, dissidente que vive na capital britânica.

A decisão de expulsar os representantes de Kadafi que permaneciam em Londres foi tomada dias após o governo Cameron anunciar que o ditador líbio poderia permanecer em seu país, desde que abdicasse incondicionalmente do poder. França e EUA também anunciaram que Kadafi pode ficar na Líbia, mas não no comando. / AP

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