Londres fará simulação de ataque terrorista

A capital britânica prepara-se para realizar no próximo dia 23 a sua maior simulação de um ataque terrorista com armas químicas. Diante da cada vez mais provável ofensiva militar contra o Iraque, as autoridades decidiram intensificar os preparativos para uma eventual ação terrorista. Analistas consideram como "muito provável" a ocorrência de um ataque contra Londres nos próximos meses. Entre os alvos mais prováveis, o metrô londrino é o principal. E a estação de metrô de Bank, localizada no coração da City - centro financeiro da cidade - e anexa ao Banco da Inglaterra, é umas que registram diariamente o trânsito de maior número de pessoas. A estação possui dez plataformas de embarque, com túneis cuja extensão somada é de cerca de 1.600 metros.No dia 23, um domingo, centenas de bombeiros, equipes médicas e policiais serão convocados a comparecer na estação de Bank. Além disso, cerca de cem voluntários vão "atuar" como vítimas. Os hospitais da região irão trabalhar em regime de emergência. Para tentar manter a simulação próxima à uma situação real, ninguém será informado com antecedência sobre a natureza do ataque, se químico, biológico ou com uma "bomba suja", que é um explosivo convencional empacotado com material radioativo. Mas, segundo a imprensa britânica, deverá se tratar de uma simulação de um ataque com armas químicas.Durante o evento, haverá uma evacuação em massa do metro na área afetada. A rotina nas ruas ao redor de Bank também será alterada. As ruas serão fechadas e os trens não irão parar na estação. Segundo as autoridades, diante da movimentação nas ruas, a população precisa ser avisada do que estará acontecendo com antecedência para que seja evitado o pânico. Aos domingos, o movimento nas cercanias de Bank é reduzido mas a simulação deverá atrair muitos curiosos.Escritórios clonesEnquanto as autoridades procuram acelerar os seus preparativos para um eventual ataque terrorista, grandes empresas e bancos sediados em Londres também já finalizaram planos emergenciais, que incluem o fortalecimento dos esquemas de evacuação dos seus edifícios e treinamento de funcionários para o caso de ataques com armas biológicas, químicas ou nucleares. Vários bancos vêm mantendo "escritórios clones" em locais distantes de suas sedes para o caso atentados que paralisem seus negócios. Nesses locais, há uma estrutura básica para a manutenção das atividades básicas desses bancos, com sistemas de computadores e bancos de dados.Bunker desmontávelEm meio a esse clima de temor e preparativos para uma eventual ação terrorista, uma siderúrgica britânica, Corus, lançou no mercado um abrigo que pode ser montado em apenas dez horas com ferramentas básicas e, segundo a empresa, protege contra explosões tendo sido, inclusive, testado pelo exército britânico. As paredes dos abrigos ´Surefast´ são feitas de duas placas de aço, separadas por uma camada de concreto. Um dos criadores do Surefast, o engenheiro Jurek Tolloczko, comparou o bunker a um conjunto de peças Lego.A Corus afirma que está produzindo o Surefast para responder "às ameaças crescentes com o terrorismo". Segundo a empresa, o abrigo é ideal para centro de comando e de controle, sedes de empresas e residências.A iniciativa, no entanto, gerou críticas de que a empresa esteja tentando capitalizar com o crescente nervosismo da população. Segundo Tolloczko, no entanto, o projeto de criação de um material resistente foi iniciado há mais de dez anos e visava aumentar a segurança em plataformas petrolíferas. Cada Surefast custa cerca de R$ 600 mil.

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