REUTERS/Charles Platiau
REUTERS/Charles Platiau

Londres começará a construir muro na França este mês

Secretário de Estado de Imigração do Reino Unido, Robert Goodwill, disse que a barreira, de 4 metros de altura, erguida ao custo de 1,9 milhão de libras (R$ 8,2 milhões) deve ser concluída até o fim do ano

O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2016 | 13h55

LONDRES - Autoridades britânicas confirmaram que começarão ainda este mês a construção de um muro de 4 metros de altura ao longo da estrada de acesso ao complexo portuário da cidade francesa de Calais. O objetivo de Londres é diminuir a entrada de imigrantes escondidos em caminhões com destino à Grã-Bretanha.

O secretário de Imigração britânico, Robert Goodwill, afirmou a parlamentares que a segurança está sendo reforçada perto do campo conhecido como “Selva de Calais”, onde milhares de imigrantes do Oriente Médio e da África esperam para cruzar o Canal da Mancha rumo à Grã-Bretanha.

Há algum tempo, a França havia assumido a operação de triagem e os custos do controle imigratório, em um acordo bilateral bastante vantajoso para a Grã-Bretanha. No entanto, desde o referendo que aprovou a saída britânica da União Europeia, o “Brexit”, os custos voltaram a ser de responsabilidade de Londres.

Goodwill disse que o muro custará € 2,7 milhões e é parte de um pacote de medidas de segurança de € 20,3 milhões acordado entre a Grã-Bretanha e a França em março. “Começaremos a construir esse grande muro novo como parte do pacote que fechamos com os franceses. Instalamos a cerca e agora estamos erguendo o muro”, explicou Goodwill.

A vegetação já foi retirada de um lado da estrada que liga a cidade ao porto. Uma autoridade local disse que o projeto será finalizado até o fim do ano. O muro será erguido dos dois lados de um trecho de estrada de 1 quilômetro de extensão e começará a ser construído no fim do mês.

Um documento exibido em uma reunião pública organizada pelo Porto de Calais, no dia 6 de julho, revelou que o muro será feito de concreto liso para torná-lo mais difícil de escalar, mas que terá plantas e vegetação do lado de dentro para minimizar o impacto visual. A França desmantelou a metade sul da “Selva” em fevereiro e março. Na semana passada, o governo afirmou que desmontará o restante, mas sem informar um cronograma.

Na segunda-feira, caminhoneiros franceses e moradores de Calais protestaram contra o campo de imigrantes em Calais, bloqueando o trânsito nas estradas da região. Eles acusam os refugiados pelo aumento da violência na cidade portuária.

Hoje, depois do discurso do ministro britânico, o anúncio do muro repercutiu nas redes sociais e foi apelidado pelos internautas de “A Grande Muralha de Calais”, em alusão à barreira existente na China, construída para defender o país de ataques de povos nômades.

Já os membros do governo britânico que são pró-imigração relataram a preocupação de que a construção do muro em Calais possa enviar a mesma mensagem de exclusão normalmente associada à proposta do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, de construir um muro para separar os EUA e o México.

Alf Dubs, membro da Câmara dos Comuns, e autor de uma proposta recente de lei para que a Grã-Bretanha receba mais crianças imigrantes desacompanhadas, chamou a ideia de “estúpida”. Dubs foi, na infância, uma criança refugiada na Grã-Bretanha, já que chegou ao país junto com outras 10 mil crianças judias que fugiam dos nazistas na 2.ª Guerra.

“Esta medida envia uma mensagem terrível após a desastrosa votação do Brexit”, disse Dubs, referindo-se a votação britânica para deixar a UE. “Ele envia a mensagem terrível de que somos um país pequeno, desagradável e introspectivo.” / REUTERS, EFE e WPOST

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