Matt Dunham/AP
Matt Dunham/AP

Londres liberta criador do WikiLeaks

Até fevereiro, quando deve ser julgado seu processo de extradição para a Suécia, responsável por vazamento de mensagens trocadas por diplomatas americanos terá de viver em endereço conhecido, respeitar um toque de recolher e usar um localizador eletrônico

, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

A Justiça britânica derrubou ontem um recurso interposto pela Suécia que pretendia impedir a libertação de Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Depois de muita expectativa, o australiano de 39 anos acabou ganhando liberdade condicional.

Até fevereiro, porém, quando deve ocorrer o julgamento do pedido de extradição do governo da Suécia - que o processa por crime sexuais -, ele será obrigado a viver na casa de um apoiador no leste da Grã-Bretanha, respeitar um toque de recolher, usar um localizador eletrônico e se apresentar à polícia local todos os dias.

Na frente ao edifício da Alta Corte de Londres, Assange negou novamente as acusações da Justiça sueca: "Espero continuar meu trabalho e provar minha inocência", disse, sob centenas de flashes, depois que se acalmaram os gritos e aplausos dos apoiadores que aguardavam sua saída. "É ótimo sentir o ar fresco de Londres outra vez. Se o resultado não é sempre o mais justo, pelo menos a justiça não está morta ainda", afirmou.

O juiz Duncan Ouseley alegou que não vê motivo para Assange desaparecer depois de sua libertação. Para o magistrado, se ele fugir, "diminuirá a si mesmo diante de muitos de seus apoiadores". "Não aceito o argumento de que o sr. Assange tem algum incentivo para não comparecer (ao tribunal). Claramente, ele tem o desejo de limpar seu nome", declarou.

Segundo Ouseley, quando chegou à Grã-Bretanha, Assange pediu que seus advogados entrassem em contato com a polícia, para que as autoridades soubessem onde ele estava. "Essa não é a conduta de uma pessoa que procura fugir da Justiça", disse.

A defesa de Assange teme que sua extradição para a Suécia seja o primeiro passo para que ele seja mandado aos EUA e responda pelo vazamento de telegramas diplomáticos que vem constrangendo o Departamento de Estado americano desde o mês passado. "Não tenho medo de ser extraditado para a Suécia. Existem preocupações muito maiores quanto à extradição para os EUA", disse.

Segundo o New York Times, promotores federais dos EUA procuram provas de conspiração contra Assange (mais informações na pág. A28). "Ouvimos rumores, não confirmados, de que um indiciamento foi feito contra mim no país."

Quando foi informado de que seria estabelecida uma fiança para seu cliente, o advogado Mark Stephens se disse "encantado". E afirmou que as 200 mil libras para o pagamento já haviam sido arrecadadas. A Justiça determinou ainda que o Ministério Público arque com os custos do processo.

Sua defesa alega que os supostos crimes se tratam de uma disputa sobre "sexo consensual, mas desprotegido". Na Suécia, essas relações podem ser consideradas um tipo "leve" de estupro. E Assange é acusado disso. Ele se pôs à disposição para ser questionado sobre as acusações - que incluem ainda "molestamento" e "coerção ilegal" - por videoconferência ou pessoalmente, desde que o procedimento ocorra na Grã-Bretanha. / THE GUARDIAN, AP e NYT

PONTOS-CHAVE

Ataques online

Ao suspender doações ao WikiLeaks, sites das empresas Visa e Mastercard foram atacados por hackers apoiadores de Assange, que invadiram ainda páginas do governo da Suécia

Reação

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderou uma campanha para pôr fim aos vazamentos. Como consequência, a Amazon.com deixou de hospedar o WikiLeaks

Despachos

1.621

dos 251.287 telegramas diplomáticos do Departamento de Estado americano obtidos pelo WikiLeaks já foram divulgados

Dificuldade

A defesa de Assange afirmou que teve problemas para conseguir as 200 mil libras para pagar sua fiança. O documentarista Michael Moore ajudou com US$ 20 mil

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