Londres pede libertação de 5 residentes presos em Guantánamo

O governo britânico pediu naterça-feira aos Estados Unidos que libertem cinco cidadãosresidentes na Grã-Bretanha que estão presos na base deGuantánamo, em Cuba. Analistas viram nisso um sinal de que oprimeiro-ministro Gordon Brown está assumindo uma postura maisindependente em relação a Washington do que seu antecessor,Tony Blair. O chanceler David Miliband entregou um pedido formal àsecretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice. Oscinco homens residiam legalmente na Grã-Bretanha antes de serempresos, mas não são cidadãos britânicos, segundo o governo. O governo Blair conseguiu a libertação de todos os novebritânicos presos em Guantánamo, mas dizia não ser responsávelpor presos de outras nacionalidades que simplesmente viviam naGrã-Bretanha. No ano passado, o governo Blair venceu na Justiça parentesde presos que tentavam obrigar o governo britânico a intercederpela libertação deles. Os cinco residentes cuja libertação foi pedida são: ShakerAamer (saudita), Jamil El Banna (jordaniano), Omar Deghayes(líbio), Binyam Mohamed (etíope) e Abdennour Sameur (argelino). A Grã-Bretanha elogiou as recentes medidas dos EUA parareduzir o número de presos em Guantánamo, visando o fechamentoda prisão para suspeitos de terrorismo. Washington recebecríticas internacionais por manter detentos por tempoindeterminado na base naval encravada em Cuba. John Curtice, professor de Política da UniversidadeStrathclyde, disse que o pedido de libertação dos residentesmostra que o governo Brown será "bem mais independente dos EUAque seu antecessor". De fato, Brown, no cargo desde junho, nomeou algunsministros mais críticos a Washington, mas uma importante fontedo governo disse na terça-feira que não há distanciamento. "A razão para a mudança na abordagem é que os EUA estãopreparados para aceitar representações agora sobre indivíduosque não são cidadãos desses países", disse a fonte. Menzies Campbell, líder do Partido dos Liberal-Democratas(oposição), elogiou o governo Brown pelo "tardio reconhecimentoda nossa responsabilidade moral em relação a esses homens". A chancelaria britânica informou que a tramitação dessecaso vai levar algum tempo. O governo Blair abriu poucas exceções à sua política, o quepermitiu, por exemplo, que neste ano fosse libertado oiraquiano Bisher Al Rawi, que passou anos radicado naGrã-Bretanha e foi preso junto com El Banna, seu sócioempresarial, em 2002 na Gâmbia.

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