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Londres volta a pressionar pela libertação de detidos no Irã

O governo britânico voltou a convocar nesta segunda-feira, 26, o embaixador iraniano em Londres para exigir a libertação dos 15 militares britânicos capturados na sexta-feira, 23, por forças navais iranianas no norte do Golfo Pérsico. Paralelamente, a ministra das Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett, apelou para que as autoridades iranianas permitam que enviados britânicos tenham acesso aos prisioneiros. "Nós estamos pressionando o governo iraniano em vários níveis para que eles nos dêem os detalhes sobre onde está nosso pessoal. Só assim teremos acesso consular para que possamos checar se eles estão em boas condições de saúde", disse ela, que está em visita oficial à Turquia. Em um encontro de cerca de 45 minutos em Londres, o subsecretário de Estado, David Triesman, reiterou ao enviado iraniano Rasoul Movahedian a postura do governo britânico, segundo a qual os quinze militares - sete fuzileiros navais e oito marinheiros - estavam em águas territoriais iraquianas quando foram capturados."Lorde Triesman resumiu a gravidade da situação e repetiu as exigências do governo de conhecer o paradeiro de nosso pessoal", explicou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, que qualificou a reunião de "franca" e "fria".O subsecretário de Estado também reivindicou assistência consular para os militares retidos, que pertencem à tripulação da fragata CornwallO ministro da Defesa do Reino Unido, Des Browne, disse nesta segunda-feira que o governo de Londres estava fazendo "todo o possível" para conseguir a libertação dos militares, quatorze homens e uma mulher.Os retidos estão "bem", segundo asseguraram membros do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano ao embaixador britânico em Teerã, Geoffrey Adams.Troca de prisioneirosLondres insiste que os quinze foram capturados por forças navais iranianas em águas jurisdicionais iraquianas ao norte do Golfo Pérsico, mas o regime de Teerã afirma que os militares entraram em águas iranianas. O Ministério de Assuntos Exteriores iraniano estaria interrogando os militares para saber se isto aconteceu "voluntariamente ou por erro"."Quando isto ficar esclarecido tomaremos uma decisão", disse nesta segunda o vice-ministro de Relações Exteriores iraniano, Mehdi Mostafavi, segundo o qual o Irã não tem intenção de trocar os britânicos por cinco militares iranianos detidos pelos EUA no Iraque no começo do ano.A captura dos marinhos e fuzileiros navais aconteceu na sexta-feira na região do canal Shatt Al Arab, limítrofe entre Iraque e Irã e cujo controle gerou a guerra que os países travaram entre 1980 e 1988.TensõesA detenção acontece em um momento de grande tensão entre o Irã e a comunidade internacional, especialmente os EUA e o Reino Unido, por causa das controversas pesquisas nucleares iranianas. O Conselho de Segurança da ONU adotou no sábado, por unanimidade, uma resolução que impõe novas sanções contra o Irã, que se recusa a suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Segundo potências ocidentais, a atividade seria parte de um plano secreto para a construção de armamentos nucleares. Teerã, entretanto, argumenta que o programa visa estabelecer tecnologia para que o Irã produza energia elétrica a partir do urânio.Ainda assim, o porta-voz do primeiro-ministro britânico Tony Blair garantiu que o governo irá tratar a questão dos militares detidos como uma assunto distinto. No domingo, o premier disse esperar que a situação seja resolvida pela via diplomática.

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