Longe do consenso, Senado vota novo plano

Em votação simbólica, Câmara já disse não a projeto que eleva teto da dívida em US$ 2,4 bi

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

O Senado dos EUA planejava para a madrugada deste domingo votar a proposta do líder da maioria democrata, senador Harry Reid, que prevê elevar o limite de endividamento do país em US$ 2,4 trilhões. Segundo Reid, o texto estaria pronto para ser votado pela Câmara na manhã de segunda-feira, quando a reabertura dos mercados ampliará a pressão pela aprovação da proposta.

Essa estratégia empurraria para a Câmara, de maioria republicana, a escolha final entre uma solução para a crise da dívida federal ou a declaração de suspensão de pagamentos, pela primeira vez na história dos EUA. Sem acordo aprovado até terça-feira, o Tesouro americano terá de enfrentar o pior cenário.

No início da tarde de ontem, o senador Mitch McConnell, líder da minoria republicana, divulgou uma carta enviada a Reid, com a assinatura de 43 colegas de partido, na qual disse ser inaceitável o projeto do democrata. McConnell ainda pediu o retorno do presidente Barack Obama às negociações. Logo depois, em um claro desafio ao Senado, a Câmara fez uma votação simbólica da proposta de Reid - derrotada por 246 votos a 173.

Em entrevista, Reid afirmou ainda esperar os republicanos se juntarem, até a zero hora deste domingo, ao esforço democrata. "Ainda podemos aprovar o texto. Mas, não podemos fazê-lo sozinhos. Precisamos dos republicanos", disse ele, pouco antes de ir à Casa Branca, acompanhado da líder da minoria democrata na Câmara, Nancy Pelosi.

Para facilitar a tramitação no Senado e na Câmara, o senador democrata alterou o projeto original e incorporou sugestões de uma proposta apresentada por McConnell no início de julho.

Segundo o Washington Post, a votação do projeto de Reid no Senado está agendada para a 1 hora (2h em Brasília) deste domingo. Caso não consiga a maioria de 51 senadores na primeira votação, ele ainda teria o domingo para convencer recalcitrantes, mesmo os de seu partido. A bancada democrata tem 53 senadores.

A Casa Branca espera que, diante do prazo curto demais para novas propostas e negociações, o Senado e a Câmara resolvam acatar o projeto de Reid.

Casa Branca. Na TV, o presidente Barack Obama insistiu ontem na necessidade de um compromisso bipartidário até terça-feira para permitir ao governo pagar aposentados, veteranos de guerra e empresas contratadas.

"Seria imperdoável (não aprovar o acordo) e inteiramente de responsabilidade de Washington. O poder de resolver isso está em nossas mãos", afirmou. O presidente advertiu também para o risco de perda na avaliação do risco da dívida americana, caso não haja uma proposta aprovada e sancionada até o dia 2.

Enquanto corriam as negociações no Senado, ontem, o Departamento do Tesouro finalizava seu plano de contingenciamento, que será usado caso nenhum acordo seja alcançado. Ainda de acordo com o Post, US$ 29 bilhões seriam poupados para o pagamento dos títulos que vencem no dia 15. Haveria ainda dinheiro em caixa para pagar as contas a vencer no dia 3, especialmente as da Previdência Social. Mas o salário dos servidores federais não estaria assegurado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.