Longe dos holofotes, 'dama do ferro' australiana é a mulher mais rica do mundo

Em busca de mais poder e influência, Gina Rinehart aprofunda incursão pelo mundo da mídia ao tornar-se acionista de jornais do país.

Nick Bryant, BBC

09 de julho de 2012 | 13h00

Para a surpresa de muitos, a mulher mais rica do mundo não é a apresentadora de TV americana Oprah Winfrey, a rainha Elizabeth 2ª ou a herdeira da L'Oréal, Lilliane Bettencourt. Dona de um império da mineração e longe dos holofotes da mídia, a australiana Gina Rinehart é a detentora do invejado título.

Acima do peso e frequentemente vista com roupas largas e um inconfundível colar de pérolas, a magnata de 58 anos que detém uma fortuna estimada em US$ 29,3 bilhões (R$ 59,7 bilhões) ficou conhecida na Austrália por um famoso comentário.

Questionada por um repórter sobre seu conceito de beleza, ela disse: "A beleza é uma mina de ferro".

Outra menção recorrente em suas entrevistas é a figura do pai, Lang Hancock, que deu início à fortuna da família nos anos 1950.

Um outro fator determinante da personalidade de Gina é sua convicção de que o trabalho de sua dinastia ajudou em muito o desenvolvimento da economia australiana no século 20, embora a elite do país não a inclua em seu seleto grupo.

De acordo com ranking elaborado pela revista econômica australiana BRW, Rinehart já é a mulher mais rica do mundo.

Estimativas do Citigroup também apontam que ela está prestes a figurar no topo da lista, com mais de US$ 100 bilhões (R$ 203 bilhões) de bens em seu nome.

Embora reconheça o valor das descobertas iniciais de minério de ferro mais de 60 anos atrás, a bilionária odeia ser chamada de "herdeira da mineração" e se considera uma executiva que construiu sua fortuna a partir de uma "virada" nos negócios da família após a morte do pai, em 1992.

Mídia

Outro ponto importante para entender as ambições da magnata é sua recente incursão pelo mundo da mídia australiana.

Ela comprou ações do Channel Ten, uma das três maiores redes de TV comerciais do país, e já é uma das principais acionistas da Fairfax Media, o segundo maior grupo de jornais da Austrália - embora ela tenha diminuído seu percentual de ações na semana passada.

O conglomerado publica três dos mais renomados periódicos do país - Sydney Morning Herald, Melbourn Age e Australian Financial Review - e o temor entre muitos jornalistas é que ela exerça pressão para que os veículos se alinhem à sua visão de direita.

A piada entre os repórteres é que o Sydney Morning Herald se torne o Sydney Mining Herald (um trocadilho com a palavra mining, que significa mineração em inglês).

Mas até o momento ela não conseguiu um assento na diretoria do grupo por se recusar a assinar o documento que garante a independência editorial dos jornais controlados pela Fairfax.

Vida pessoal

As atividades do grupo de mineração estão acima de tudo na vida da bilionária. Ela tem poucos interesses além dos negócios e se mantém longe de jatos particulares, quadros famosos ou corridas de cavalo, áreas que geralmente atraem os super ricos.

Em uma recente batalha com seus três filhos mais velhos, ela deixou claro que os lucros da empresa seriam preservados e ameaçou levá-los à falência caso continuassem tentando tirá-la do comando.

Seus filhos classificaram a manobra como "enganadora, manipuladora, desgraçada e desesperadamente conflitante".

Influência e poder

Analistas estimam que a incursão da bilionária pelo mundo da mídia é apenas mais uma de suas ações em busca de mais poder e influência na Austrália.

Há dois anos ela foi vista em eventos públicos criticando os planos do Partido Trabalhista, então no governo, de aumentar os impostos do setor da mineração.

Seus discursos inflamados foram vistos como algo excepcional para uma mulher que até então havia sempre preferido exercer influência nos bastidores.

O entusiasmo rendeu piadas na imprensa australiana, mas dentro de algumas semanas, no entanto, o primeiro-ministro Kevin Rudd foi afastado e sua substituta, Julia Gillard, anunciou logo ao assumir que os planos seriam cancelados. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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