Social Media/Handout via REUTERS
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López e Ledezma voltaram à prisão por planejar fuga, diz Supremo venezuelano

Advogados dos líderes opositores negaram que houvesse qualquer plano de fuga e acrescentaram que as casas eram fortemente vigiadas; famílias dos políticos dizem que eles foram enviados para a prisão militar de Ramo Verde

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 11h41
Atualizado 01 Agosto 2017 | 13h20

CARACAS - Os líderes opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em prisão domiciliar, foram enviados novamente à prisão  nesta terça-feira, 1º, porque planejavam fugir e deram diversas declarações de teor político, justificou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país.

"Recebemos por fontes da inteligência oficial informação que davam conta (sic) de um plano de fuga desses cidadãos, pelo que e com a urgência do caso, foram ativados os procedimentos de resguardo correspondentes", afirmou o TSJ em uma nota de imprensa.

López e Ledezma, o presos mais emblemáticos da oposição venezuelana, foram retirados de suas residências nesta madrugada por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) depois de ser "verificado o descumprimento das condições impostas para que se mantivessem sob prisão domiciliar", explicou o TSJ.

"As condições impostas a López não permitem que ele faça qualquer tipo de proselitismo político em razão da Sentença Definitivamente Firme - quando não sabe recurso - imposta contra ele, que tem como pena adicional sua inabilitação política pelo tempo em que dure a pena imposta", completou a Corte.

Já no caso de Ledezma, prefeito de Caracas, "tinha a obrigação de se abster de emitir declarações para qualquer meio", explicou o comunicado.

A oposição venezuelana e os advogados de defesa de López e Ledezma rechaçaram de forma contundente que os dois líderes tivessem a intenção de fugir da prisão domiciliar. Juan Carlos Gutiérrez, advogado de López, assegurou a jornalistas no Palácio da Justiça que seu cliente "jamais" fugiria. "Essa possibilidade é absolutamente inexistente", afirmou, detalhando que pelo menos seis agentes do Sebin vigiavam a casa de seu cliente, com grandes armas e equipes especializadas.

Omar Estacio, advogado de Ledezma, declarou que o prefeito de Caracas tampouco fugiria. "Em várias ocasiões, os organismos de segurança o retiravam da custódia. Deixavam a porta aberta para que fugisse e evitasse o peso de prender o prefeito", acrescentou Estacio.

"Isso é ridículo, isso é um passo atrás do governo. É indignante, é inaceitável, absolutamente arbitrário. O governo está demonstrando que é um governo ferido, que não tem razão, mas força bruta pra tentar meter medo na sociedade", declarou Julio Borges, presidente do Parlamento.

Protestos

Os dois líderes opositores publicaram na semana passada e no fim de semana vídeos em que incentivaram os venezuelanos a não participarem da votação que elegeu os membros da Assembleia Nacional Constituinte no domingo.

O procedimento convocado pelo presidente Nicolás Maduro sob argumento de pacificar o país é considerado pela oposição como uma "fraude" cujo real objetivo seria perpetuar o líder chavista no poder.

Nos vídeos também convocaram o prosseguimento dos protestos que exigem a saída de Maduro, após quatro meses de manifestações que deixaram mais de 120 mortos.

Ramo Verde

Fontes próximas aos dois opositores confirmaram que eles foram levados para a prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde estavam antes de receberem o benefício da prisão domiciliar.

Gutiérrez afirmou à uma emissora local que confirmou a informação e espera poder visitá-lo ainda nesta terça-feira, "um dia de visita legal" nesta prisão.Mitzy Capriles, mulher de Ledezma, afirmou durante entrevista em Madri que os advogados dele também tinham confirmado seu retorno para a mesma prisão. / AFP e EFE

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