Sérgio Castro / Estadão
Sérgio Castro / Estadão

López sofreu ameaça de morte na prisão, diz Lilian Tintori

Segundo mulher do opositor venezuelano , desde que ele se reuniu com Zapatero, as condições dele na prisão pioraram

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2016 | 18h37

CARACAS - A opositora venezuelana Lilian Tintori, mulher do líder do partido Voluntad Popular, Leopoldo López, disse nesta segunda-feira, 22, que ele foi ameaçado de morte por um dos guardas que o mantém sob custódia no presídio militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas. Frequentemente, Lilian denuncia maus tratos ao marido, que segundo ela, também sofre com torturas psicológicas e é submetidos a humilhações frequentes pelos carcereiros. 

"Levaram Leopoldo ao limite. O ameaçaram de morte. Um sargento disse 'temos que matá-lo'", disse Lilian em entrevista à rádio RCR, crítica ao chavismo. Segundo ela, o militar que ameaçou Leopoldo, identificado como "Corredor", pertence a Diretoria de Contrainteligência Militar do Exército. 

Ainda conforme o relato da opositora, López questionou o militar sobre a ameaça e o sargento teria respondido que ele só cumpria ordens. Lilian cobrou explicações da cúpula militar, leal ao chavismo, sobre as ameaças. 

“Por isso que temos denunciado que a vida dele está em risco. Quem o ameaça é o carcereiro que o maltrata e o humilha e aponta uma arma em seu peito”, disse Lilian. “Nós, como família, temos que denunciar isso. É urgente que a cúpula militar responda por isso.”

Ainda de acordo com a opositora, desde que López se reuniu com o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, as condições dele na prisão pioraram bastante. “Todos os dias tiram algo dele e tratam-no de uma maneira ainda pior”, afirmou. 

Ela disse que López está isolado e não pode falar com os filhos. As únicas pessoas com acesso a ele são quatro guardas que o monitoram por vídeo o tempo todo. “A falta de autonomia nos poderes públicos chegou a tal ponto que não se pode interromper esse tipo de ordem (vinda do governo)”, acrescentou. 

Pressão. Ainda ontem, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD)voltou a pressionar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para acelerar o processo do referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro. 

Segundo a MUD, o prazo para a formalização da data da nova etapa do recolhimento de assinaturas acabou no dia 19. O CNE informou que isso ocorreria no fim de outubro, mas sem estipular os dias específicos. 

No entendimento do CNE, no entanto, essa definição pode demorar mais duas semanas. 

“O CNE mais uma vez deixou de cumprir a regulamentação, no que representa um obstáculo para o exercício de participação popular na convocação do referendo”, afirmou a MUD em comunicado. Para que o referendo seja seguido de novas eleições, ele precisa ocorrer ainda este ano, algo que, pelo cronograma do CNE, é improvável. 

Fronteira. O governo da Colômbia anunciou ontem que deportará 33 venezuelanos que entraram no país ilegalmente durante a reabertura da fronteira entre os dois países no fim de semana. O temor é de uma onda de imigração ilegal para o país provocada pela crise econômica e política na Venezuela.

Segundo o Departamento de Imigrações da Colômbia, 33 mulheres foram presas na cidade de Barrancabermeja e retornarão à Venezuela. 

Milhares de venezuelanos têm viajado à Colômbia nos últimos fins de semana para comprar alimentos e remédios, inundando as cidades fronteiriças entre os dois países, depois que os presidentes Nicolás Maduro e Juan Manuel Santos entraram em um acordo para o funcionamento da fronteira. Santos alertou, no entanto, que alguns dos venezuelanos não pretendem voltar para o seu país de origem depois de chegar à Colômbia. /EFE e AP

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