Monica Almeida/The New York Times
Monica Almeida/The New York Times

Los Angeles declara estado de emergência após aumento do número de sem-teto

Cidade é a primeira nos EUA a tomar medida drástica para enfrentar o problema - números oficiais falam em 26 mil moradores de rua; prefeito e Câmara propõe US$ 100 milhões para habitação em 2016

O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 09h35

LOS ANGELES - As autoridades de Los Angeles, nos Estados Unidos, declararam na terça-feira, 22, estado de emergência em razão da 'invasão' de acampamentos de moradores de rua, que ocupam desde passagens debaixo de rodovias até as calçadas chiques de Venice Beach, tornando esta a primeira cidade do país a dar um passo tão drástico em resposta ao problema com os sem-teto.

O movimento, que tem um caráter social, também atende a crescente onda de reclamações sobre os sem-teto e a perturbação da ordem pública que eles criam. Especialistas americanos afirmam que Los Angeles tem um problema grave e persistente em relação às pessoas que vivem nas ruas em vez de em abrigos - a estimativa oficial é de 26.000 sem-teto na cidade. 

O prefeito e a Câmara Municipal prometeram uma resposta considerável e coordenada, propondo na terça-feira gastar pelo menos US$ 100 milhões no próximo ano com habitação e outros serviços. Eles planejam, entre outras coisas, aumentar o tempo de funcionamento de abrigos e fornecer mais subsídios para moradores de rua e aqueles em abrigos poderem alugar um imóvel.

"Todos os dias quando chegamos ao trabalho vemos pessoas que moram num gramado, simbolizando essa intensa crise da cidade", afirmou o prefeito Eric Garcetti. "Esta cidade empurrou este problema de vizinhança para vizinhança por muito tempo."

Em áreas urbanas como Nova York, Washington e São Francisco, o aumento dos custos para comprar um imóvel e uma recuperação econômica desigual ajudaram no aumento dos sem-teto. Em algumas cidades, as autoridades aumentaram seus esforços em políticas de fiscalização para proibir as pessoas de viverem em espaços públicos

Em cidades conhecida pelo clima favorável, como Honolulu, no Havaí, ou Tucson, no Arizona, ou ainda nas que são famosas por suas políticas liberais, como Madison, Wisconsin, a frustração levou repressão de grandes acampamentos. Algumas cidades, como Seattle, tentaram criar áreas próprias para acampamentos de sem-teto, mas até o momento, nenhuma cidade americana encontrou uma solução perfeita para o problema.

Como outros prefeitos de áreas urbanas, Garcetti fez promessas para acabar com a falta de moradia crônica. No entanto, a população de rua de Los Angeles cresceu cerca de 12% desde que ele assumiu o cargo em 2013. Ele também foi criticado por adotar uma abordagem linha dura ao mesmo tempo em que teria feito muito pouco para ajudar as pessoas a encontrar e pagar por novas habitações. 

Os técnicos do orçamento da cidade estimam que Los Angeles já gasta mais de US$ 100 milhões, principalmente com a polícia, para lidar com questões que decorrem de pessoas que vivem nas ruas.

"Esta é a consequência de não ter habitação a preços acessíveis", diz Megan Hustings, diretora interina da Coalizão Nacional para os Sem-Teto, um grupo de advocacia com sede em Washington. "É algo que se repete por todo o país: trabalhamos para fornecer comida e abrigo de emergência, mas a habitação continua a ser inacessível, então você vê as pessoas dependendo de serviços de emergência ou indo para as ruas."

O prefeito de Los Angeles propôs que ainda em 2015 US$ 12,6 milhões provenientes de receitas fiscais inesperadas sejam utilizados para subsidiar alugueis de curto prazo e outros serviços para os sem-teto, incluindo o uso de US$ 1 milhão para a criação de centros onde essas pessoas poderiam armazenas seus pertences e tomar banho. / NYT

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