Lott renuncia à liderança republicana no Senado

Cedendo às pressões de colegas de partido e da Casa Branca, o senador pelo Mississippi Trent Lott anunciou sua renúncia como líder da futura maioria republicana no Senado dos EUA, duas semanas depois de causar uma tempestade política, ao fazer comentários considerados racistas. A renúncia foi anunciada depois que vários senadores republicanos começaram a manifestar publicamente seu apoio a Bill Frist, do Tennessee, que revelou quinta-feira a disposição de candidatar-se à liderança partidária. Frist, um político moderado de 50 anos, é um forte aliado do presidente George W. Bush e tem o apoio do "número 2" republicano no Senado, Don Nickles, entre outros. "No interesse da busca da melhor agenda possível para o futuro de nosso país, eu não buscarei permanecer como líder da maioria no Senado para o 108º Congresso em 6 de janeiro", afirmou Lott, de 61 anos, num comunicado - acrescentando que não abandonará, porém, sua cadeira de senador, ao contrário do que vinha ameaçando fazer se deixasse a liderança. "Serei eternamente grato àqueles que me ofereceram sua amizade, seu apoio e suas preces. Continuarei a servir ao povo do Mississippi no Senado dos EUA." A polêmica que derrubou Lott da liderança começou no dia 5, quando ele disse que teria sido melhor para os EUA se o candidato republicano Casa Branca em 1948, Strom Thurmond, tivesse sido eleito. Naquela ocasião, Thurmond era governador da Carolina do Sul e concorreu à presidência com uma plataforma segregacionista. Apesar dos vários pedidos de desculpas que fez desde sua declaração, Lott não conseguiu deter as críticas de políticos democratas e republicanos, de ativistas dos direitos civis, de colunistas e do presidente Bush. Bush saudou a decisão de Lott de abandonar a liderança no Senado: "Eu respeito essa decisão muito difícil que Trent tomou, no interesse do povo americano." A permanência de Lott no Senado garante que o Partido Republicano não perderá a maioria de 51 assentos conquistada nas eleições de novembro. O Partido Democrata tem 48 cadeiras e conta com o apoio de um senador independente. Se Lott deixasse o Senado, este poderia ficar dividido ao meio, já que o governador do Mississippi, que seria encarregado de escolher um substituto, é do Partido Democrata.

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