Lucrativos comitês sobre Cuba

O New Cuba PAC, comitê de ação política que apoia candidatos que defendem o fim do embargo comercial contra Cuba, arrecadou US$ 350 mil nos sete meses desde a sua fundação, em maio do ano passado.

Mimi Whitefield*, Miami Herald

30 Janeiro 2016 | 02h02

"Nossa arrecadação histórica nos coloca como uma força a ser levada em conta em Washington", disse Ric Herrero, codiretor do comitê. "E mostra o apoio sem precedentes dos americanos do Sul da Flórida e de todoos Estados Unidos que desejam que nossos representantes modernizem nossas políticas ultrapassadas com relação a Cuba e suspendam o embargo de uma vez por todas."

Cheques continuaram a chegar durante a primeira semana de janeiro e agora o New Cuba PAC, com sede em Washington, contabiliza bem mais do que US$ 350 mil, disse James Williams, codiretor do comitê.

Segundo ele, entre os contribuintes estão o magnata do setor de saúde Mike Fernandez, grande doador para a campanha do pré-candidato republicano Jeb Bush; Carlos Gutierrez, ex-secretário do Comércio no governo de George W. Bush; o Marriott PAC; Pat Riley, presidente do Miami Heat; e os empresários de Miami Manny Medina, Joe Arriola e Paul Cejas.

Mike Fernandez, Carlos Gutierrez, Joe Arriola, chairman do Public Health Trust, e Many Medina, estão entre os dez signatários de uma carta aberta publicada em dezembro no Miami Herald pedindo o fim do embargo a Cuba e insistindo em um envolvimento com os cubanos na ilha.

"Chegamos a um ponto de nossas vidas em que não temos nenhum interesse em ascensão pessoal, mas apenas no bem para "nuestra gente", afirmaram os empresários na carta, após uma viagem do grupo a Cuba. Eles elogiaram os empreendedores que encontraram na ilha, afirmando que "vimos progressos além do que imaginávamos".

Williams disse que o sucesso da arrecadação de fundos do seu comitê "é mais uma prova de que os americanos de todo espectro econômico e político continuam unidos em seu apoio à normalização das relações entre Estados Unidos e Cuba".

Pró-transição. O US-Cuba Democracy, um PAC com sede em Hialeah, Flórida, cujo compromisso é promover uma transição em Cuba para uma democracia multipartidária, um estado de direito e um sistema de livre mercado, também anda muito atarefado arrecadando fundos. O comitê, em sua declaração no meio do ano de 2015, informou à Comissão Eleitoral Federal que recebera contribuições no valor de US$ 214.322,40.

O informe relativo ao ano inteiro ainda não foi enviado, mas Mauricio Claver-Carone, um dos fundadores do US-Cuba Democracy, disse que no ano passado o comitê arrecadou mais de US$ 350 mil e desde a sua criação, em 2004, levantou US$ 4,3 milhões, o que o torna o maior PAC de política externa nos Estados Unidos. O novo informe mostrará que "as contribuições vieram de centenas de cubano-americanos, e não de um punhado de doadores ricos e PACs corporativos", disse ele.

Segundo Claver-Carone, seu comitê contabilizou mais de US$ 350 mil em contribuições políticas no ano passado e tem mais de US$ 200 mil em dinheiro.

O US-Cuba Democracy reiterou que sua missão continuará até os presos políticos cubanos serem libertados, os direitos civis e humanos respeitados em Cuba, e houver uma transição democrática na ilha. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*É colunista do Miami Herald

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