Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Lufthansa suspende voos para Venezuela em razão da crise política e econômica no país

Para contornar a queda dos preços do petróleo e economizar energia elétrica, presidente venezuelano prorrogou por mais duas semanas o decreto de redução da jornada de trabalho semanal para o setor público

O Estado de S. Paulo

29 Maio 2016 | 16h52

CARACAS - A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou neste domingo, 29, a suspensão de seus voos à Venezuela em razão da crise econômica e política que o país enfrenta, e do controle cambial em vigor, afetado pela queda dos preços do petróleo. Em outubro, as brasileiras Gol e Tam reduziram a frequência das rotas para Caracas. A primeira cortou de 11 para 4 as viagens semanais, e a segunda passou a operar apenas aos sábados.

"Decidimos suspender a partir de 17 de junho os voos entre Frankfurt e Caracas até nova ordem", indicou um porta-voz da companhia. A Lufthansa realiza atualmente três voos semanais à capital venezuelana.

"Esta decisão se deve à difícil situação econômica e ao fato de não ser possível transferir as divisas estrangeiras para fora do país", em razão do controle de câmbio que se introduziu nos últimos anos e que impede as empresas estrangeiras de converter suas receitas locais em dólares para depois repatriá-las, acrescentou o porta-voz.

A Venezuela dispõe das maiores reservas de petróleo do mundo, mas atualmente é afetada pela queda dos preços do combustível, que fornece 96% das divisas.

Como parte das medidas tomadas para contornar essa crise, o presidente venezuelano Nicolás Maduro prorrogou por mais duas semanas um decreto que reduz a jornada de trabalho semanal para o setor público com o objetivo de poupar energia elétrica.

"O decreto de regime especial de dias de folga foi prorrogado por mais 15 dias, porque as chuvas que esperávamos não foram suficientes", afirmou a governadora chavista do Estado de Cojedes, Erika Farías, do palácio presidencial de Miraflores em Caracas na sexta-feira.

A Venezuela vive uma crise elétrica com cortes do serviço em quase todo o país. O governo atribui a crise a uma seca causada pelo fenômeno meteorológico El Niño, que reduziu a capacidade de geração hidrelétrica do país caribenho, principalmente a central de Guri, que fornece 70% da eletricidade do país.

Desde o final de abril, os funcionários dos poderes Judicial, Eleitoral e Cidadão do país estão dispensados de trabalhar às quartas e quintas-feiras, “com exceção das tarefas fundamentais e necessárias”, segundo o anúncio oficial.

No começo de abril, Maduro estabeleceu por meio de decreto que todas as sextas-feiras seriam “dias não laborais” durante os meses de abril e maio para o setor público. Além disso, a carga horária de trabalho em ministérios e empresas públicas foi reduzida durante a semana para 6 horas. /AFP

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