Lugo acata destituição mas fala em 'golpe na democracia'

Presidente deposto faz discurso de despedida e pede que direito de manifestação da população seja preservado.

BBC Brasil, BBC

22 de junho de 2012 | 19h45

O presidente deposto Fernando Lugo afirmou na noite desta sexta-feira que aceita a decisão do Congresso sobre seu impeachment, apesar de classificá-la de "covarde". Em um discurso de despedida, disse que continuará na política e pediu que os cidadãos do país tenham liberdade para se manifestar pacificamente.

"Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugo quem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia", afirmou no início do discurso.

Lugo foi destituído do cargo em um processo "relâmpago", no qual o processo de impeachment foi iniciado e aprovado em um prazo de pouco mais de 24 horas. A rapidez do ato e o curto prazo dado ao ex-mandatário para se defender recebeu críticas fortes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

"Me submeto à decisão do Congresso e estou disposto a responder sempre por meus atos como ex-mandatário nacional".

Direito de manifestação

Ele pediu ainda que o direito de manifestação livre da população seja respeitado. "Que o sangue dos justos não se derrame nunca mais por causa de interesses mesquinhos", disse.

Lugo afirmou ainda que pretende continuar na vida política e deu a entender que militará na "via rural". O ex-bispo católico ganhou muitos opositores devido à sua ligação no passado com movimentos sociais e até de sem-terras.

Ele encerrou o discurso afirmando que "sai pela maior porta da casa". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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