Lugo amplia crise com vice

Fracassa diálogo entre presidente paraguaio e Franco

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

O fracasso de um encontro no qual o presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, e seu vice, Federico Franco, tentaram apaziguar suas diferenças aumenta os riscos de uma ruptura na coalizão que dá sustentação ao governo paraguaio. A disputa ocorre num momento em que o governo Lugo passa por um escândalo envolvendo três mulheres que alegam ter filhos do ex-bispo. A reunião entre o presidente e Franco foi realizada na noite de terça-feira. O vice exigia mais participação nas decisões do governo e queria indicar o novo ministro das Relações Exteriores (o antigo titular da pasta, Alejandro Hamed, pediu demissão). Segundo autoridades paraguaias, houve discussões e trocas de insultos e o presidente acabou nomeando um chanceler sem o aval de Franco: o esquerdista Héctor Lacognata, que assumiu prometendo avançar nas negociações com o Brasil sobre a Hidrelétrica de Itaipu. "Lugo continua a ser sectário, trabalhando apenas com um grupo do partido e marginalizando outro", disse Franco após o encontro, no qual chegou a pedir a demissão do chefe de gabinete de Lugo, Miguel López Perito. O vice-presidente paraguaio lidera uma das duas facções do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), a principal força da coalizão de Lugo. O presidente, porém, tem preferido em suas indicações integrantes da facção rival. Hipoteticamente, se o grupo de Franco romper com Lugo, pode se juntar à oposição para tentar derrubá-lo. Na semana passada, alguns parlamentares pediram a abertura de uma investigação para verificar se Lugo iniciou seu caso amoroso com uma das mulheres que dizem ter um filho seu antes de ela ter 18 anos - o que no Paraguai poderia ser considerado um caso de estupro. A moça, no entanto, disse que a relação começou quando ela tinha 23 anos .

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