Lugo diz que caiu por não distribuir cargos

Ex-presidente paraguaio afirma que ainda não decidiu sobre tentar uma vaga no Senado nas próximas eleições

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2012 | 03h05

O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo atribuiu sua queda à recusa em distribuir cargos entre os partidos políticos do país. Em entrevista publicada ontem pelo jornal argentino Clarín, Lugo defendeu seu método para lidar com os ex-aliados. "O que os partidos políticos querem? Cargos. E eu lhes respondia 'não'", afirmou.

Afastado do cargo por um processo de impeachment que durou menos de 48 horas e terminou no dia 22, Lugo disse que "o Estado não é um bolo que se reparte". O ponto central, segundo o ex-presidente, foi a insatisfação do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de seu então vice e atual presidente Federico Franco, entre outros grupos políticos. Lugo afirmou que quis "quebrar essa ordem e fazer políticas sociais, fato que incomodou" diversos setores políticos.

Lugo declarou que ainda não decidiu se será candidato a senador. "Se tivesse concluído meu período (presidencial), teria me transformado em senador vitalício (cargo destinado a ex-presidentes que completam o mandato). Isso teria fechado todas as portas de futuras eleições. Mas, com este golpe de Estado, abre-se uma possibilidade", disse.

Ele afirmou que consultou seus advogados para verificar a possibilidade de reeleição. Mas, "a Constituição paraguaia é muito clara: a reeleição não existe. Eu já fui uma vez eleito presidente".

Em declarações ao jornal Última Hora, de Assunção, Lugo afirmou que viverá de contribuições recebidas dos partidos da coalizão Frente Guasu. "E preciso receber meu último salário de presidente", disse.

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