Lugo pede renegociação de Itaipu

Candidato paraguaio visita Lula e propõe mudança no contrato da usina

Tânia Monteiro e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

O candidato à presidência do Paraguai Fernando Lugo tentou ontem, sem sucesso, arrancar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um compromisso para renegociar o contrato da hidrelétrica de Itaipu Binacional. À saída do Planalto, depois de uma audiência com o presidente, Lugo disse que Lula estaria disposto a discutir o tema em uma mesa de negociação formada por "técnicos, engenheiros e juristas". Mas a assessoria do Palácio do Planalto negou que o governo tenha se comprometido em montar tal grupo de trabalho.A assessoria do presidente Lula afirmou que o governo não firmaria compromissos com nenhum candidato, sem que a eleição estivesse encerrada e o vencedor, anunciado. Também disse que o presidente distingue decisões políticas e técnicas. O presidente brasileiro reiterou a intenção de colaborar para o desenvolvimento do Paraguai, o que implica em "superar problemas e barreiras de natureza técnica e burocrática no que diz respeito a Itaipu". As barreiras, no entanto, não incluem alteração dos valores pagos pelo Brasil ao país vizinho. Lugo defende um aumento do valor pago pelo Brasil para usar a energia de Itaipu que o Paraguai não consome. O ex-bispo católico de esquerda prega uma revisão do Tratado de Itaipu, firmado entre os dois países. "O presidente Lula disse que está disposto a formar uma mesa ampla de técnicos, de engenheiros. Não somos especialistas, deixaremos que os técnicos discutam tecnicamente a situação e os juristas discutam juridicamente. Estamos dispostos a formar uma mesa ampla de diálogo, já que temos pontos de vista diferentes", afirmou o candidato paraguaio.As eleições no Paraguai ocorrem no dia 20. Lugo é candidato por uma ampla coligação de oposição, intitulada Aliança Patriótica para a Mudança. A disputa tem ainda o general reformado Lino Oviedo e a candidata governista Blanca Avelar, que também falam em revisão do contrato da hidrelétrica, mas sem a veemência de Lugo. Fernando Lugo não reiterou a intenção de denunciar um suposto desequilíbrio no Tratado de Itaipu, em benefício do Brasil, à Corte Internacional de Haia. O candidato afirma em seus discursos que abrirá negociações para derrubar a exigência que obriga o Paraguai entregar ao Brasil a energia excedente. O ex-bispo sustenta ainda que pretende discutir o "preço de mercado justo". A meta do candidato de oposição é elevar o retorno anual de US$ 200 milhões para US$ 1,8 bilhão.

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