Lugo pode fazer pouco por brasileiros, avalia Brasília

Diplomatas temem que possível onda de violência por parte de camponeses paraguaios resulte na morte de agricultores brasileiros

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

O Itamaraty avalia que o presidente paraguaio, Fernando Lugo, está de mãos atadas e não tem como contornar as ameaças dos movimentos camponeses de expulsar do país os agricultores brasileiros. Os diplomatas calculam, também, que uma possível onda de violência nos Departamentos de San Pedro e do Alto Paraná resultará na morte de cidadãos brasileiros.Para diplomatas que acompanham a situação no Paraguai, Lugo enfrenta um grave conflito político interno neste início de mandato. A preservação das atuais bases da relação bilateral ou a sua deterioração em uma crise diplomática será resultado direto de sua capacidade de dissipar a situação interna.Nos cálculos do Itamaraty, cerca de 200 mil brasileiros estão sem nenhuma condição de se defender, em caso de invasões e outros atos de violência que possam ser desencadeados pelos movimentos de camponeses sem-terra do Paraguai. Os brasileiros são proprietários de minifúndios e fazendas de soja, muitos dos quais se instalaram no Paraguai nos anos 70 e têm filhos nascidos no país - reconhecidos como cidadãos do Brasil. Os poucos latifundiários brasileiros, ainda mais ameaçados, podem acirrar a violência com a reação de grupos armados. O contingente brasileiro na zona rural é responsável pela quase totalidade da produção de soja do país, que alcançará cerca de 6,8 milhões de toneladas na safra 2008-2009.Lugo se vê desafiado por segmentos mais radicais que apoiou quando conduzia a Diocese de San Pedro. Também está diante de um discurso mais radical de um velho aliado, o governador de San Pedro, José Ledesma, que defende a expulsão dos brasileiros em programas de rádio e , em maio, declarou que seria ''implacável'' nessa questão.

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