Lugo promete sair candidato novamente

Deposto em julho, paraguaio diz que disputará cadeira no Senado ou, 'se possível', a presidência

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h05

Questionado sobre seu futuro político, o ex-presidente Fernando Lugo avisa com dedo em riste: "A última palavra não foi dita". Lugo, deposto em um processo de impeachment de um dia no fim de junho, afirma que está em dúvida entre uma candidatura ao Senado ou, se tiver o aval da Justiça, à presidência.

O ex-bispo que rompeu a hegemonia do Partido Colorado no Paraguai conversou com o Estado na sede da Frente Guasú, aliança de partidos e movimentos de esquerda da qual saiu candidato em 2008. No dia seguinte, quinta-feira, ele viajou a São Paulo para se submeter a exames que faz a cada dois meses em razão de um câncer, no Hospital Sírio-Libanês.

"Aqui houve uma ruptura do processo democrático, algo que cria novos desafios para Fernando Lugo", explica ele, na terceira pessoa. No Paraguai, presidentes que concluem mandato ganham cargo de senador vitalício. Como foi deposto, Lugo não terá esse direito.

"Há uma possibilidade real de candidatura ao Senado e a Frente Guasú está analisando esse caminho. Mas há também a questão da presidência." A Constituição paraguaia veta a reeleição presidencial, mas, como foi deposto antes dos cinco anos de mandato, Lugo afirma que há "incertezas" que devem ser esclarecidas pela Justiça.

"Metade da biblioteca diz que sim e a outra metade, que não", afirma. "Hoje recebi três pareceres jurídicos dizendo que, sim, tenho direito a concorrer."

Adesão de Caracas. Questionado sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, o ex-presidente argumenta que "pela lógica" Brasil, Argentina e Uruguai agiram corretamente. "Será que é possível que todos esses países sul-americanos estavam errados e só o Paraguai, certo?" Lugo, entretanto, afirmou que "preferia" ver Caracas entrar no bloco com aval do Parlamento paraguaio.

"Alguns podem chamar de oportunista a decisão (de aceitar a Venezuela à revelia do Paraguai). Mas, na sua origem, está a aplicação dos mecanismos democráticos do Mercosul, os quais, curiosamente, haviam sido solicitados pelo próprio Paraguai em função de sua instabilidade institucional. O Paraguai provou de seu remédio."

Lugo afirma que sua destituição levou os paraguaios às ruas, ao contrário do que noticiou praticamente toda a imprensa nacional e internacional. "Em mais de 40 pontos no país houve registros de manifestação", garante. Sobre a imensa votação em favor do impeachment - 39 dos 45 senadores e 76 dos 80 deputados -, o ex-bispo alerta que houve um "pacto da direita no Congresso, onde nunca tivemos apoio".

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