Cesar Olmedo/Efe
Cesar Olmedo/Efe

Lugo sofre críticas por trocas após matança

Cúpula da Segurança é nomeada após 6 policiais e 9 agricultores morrerem durante desocupação

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h03

ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu uma série de críticas após ter demitido parte da cúpula de segurança pública do país. As exonerações foram uma resposta ao confronto entre policiais e sem-terra no departamento (Estado) de Canindeyú. Ontem, o número de mortos foi revisado para 15 - seis agentes e nove agricultores.

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O novo ministro do Interior, Rubén Candia, e o novo chefe da polícia nacional, Arnaldo Sanabria, substituíram ontem, respectivamente, Carlos Filizzola e Paulino Rojas. Candía é do Partido Colorado, de oposição, e foi ministro da Justiça no governo de Nicanor Duarte (2003-2008). Sanabria comandou a operação na qual policiais foram emboscados por sem-terra da Liga Nacional dos Campeiros.

As principais críticas recaíram sobre o novo chefe de polícia. Ele foi preso em 2002, acusado de tráfico de cigarros falsificados e armas para a Argentina, mas acabou inocentado.

Ao jornal ABC Color, Filizzola criticou a nomeação de Sanabria. "É um erro de proporções gigantescas", declarou. "Vários oficiais mais experientes terão de passar à reserva para não servir a um oficial de patente inferior." Ainda de acordo com o ex-ministro, Lugo está desmembrando áreas estratégicas do governo para atender a pressões políticas.

As críticas vieram também do movimento camponês. O líder do Movimento Agrário do Paraguai, Celestino Olmedo cobrou o presidente. "Ou o presidente apoia os camponeses pobres sem-terra ou os liquida com as armas de seus policiais", afirmou.

O novo ministro do Interior prometeu agir sob amparo legal. "Faremos as desocupações munidos de autorização judicial", disse. O comandante da polícia afirmou em sua cerimônia de posse que seus homens não são responsáveis pela violência: "Lamentavelmente, mentes perversas planejaram essas ações violentas".

Ontem, 250 homens do Exército enviados à propriedade palco dos confrontos ainda buscavam sem-terra foragidos do confronto. O terreno, hoje uma reserva florestal, pertence ao empresário e ex-senador Blas Riquelme.

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